O ministro da Justiça e Segurança Nacional, Sergio Moro, participou na manhã desta segunda-feira da abertura do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária do Brasil (Consej), apesar da pauta ter sido sobre o sistema carcerário, o que deu o tom mesmo foi outro assunto de grande repercussão.
A matéria veiculada no site “The Intercept Brasil”, na qual apresenta diversas mensagens do então juiz federal Sérgio Moro, com o procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol a respeito da operação Lava Jato, com orientações e cobranças de operações dos procuradores, foi o assunto mais abortado pelos jornalistas na coletiva de imprensa, realizada no Hotel Quality, na zona Centro-Sul de Manaus.
O ministro Sérgio Moro chegou a ficar incomodado com as perguntas da imprensa e encerrou a coletiva antecipadamente. Ao ser questionado se a denúncia do site “The Intercept Brasil” poderia atrapalhar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal, ele afirma não ter visto nenhuma irregularidade na mensagem, a não ser o modo como foi obtida.

(Foto: Thaise Rocha)
“Eu não vi nada de mais nas mensagens. O que houve foi uma invasão criminosa em celulares de procuradores. Pra mim é um fato bastante grave ter havido essa invasão e essa divulgação”, frisou Sérgio Moro ao acrescentar que não pode dizer se as mensagens são autênticas. “São coisas que aconteceram há anos. Não tenho mais essas mensagens, eu não guardo o registro disso”.
O ministro explicou que em relação à denúncia, na qual cita que ele havia sugerido mudanças na operação Lava Jato para o procurador Deltan Dallagnol, ele afirma que não houve nenhuma irregularidade. “Olha, se houve alguma coisa nesse sentido, são operações que já haviam sido autorizadas. É uma questão de logística, discutir o que fazer e como fazer”, finalizou o ministro ao encerrar a entrevista.
Durante a abertura do Consej, o ministro não anunciou nenhum tipo de medida para o sistema carcerário no Estado e deu como solução a contratação de mais agentes penitenciários, uma vez que desde 1986 não há concurso público.
Contratação de agentes x concurso público
O Governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), declarou que diversas ações estão sendo tomadas para diminuir os problemas do sistema prisional. Lima disse que atualmente há 60 agentes no sistema prisional e alegou ter limitação pela Lei de Responsabilidade Fiscal para realizar concurso público, e como medida emergencial, tenta a contratação de novos agentes.

(Foto: Thaise Rocha)
“O que estamos fazendo é encaminhando um entendimento junto Ministério Público para que seja assinado um Termo de Ajustamento de Conduta juntamente com o Tribunal de Contas do Estado para que haja contratação emergencial de pessoal para que a gente possa qualificar e na sequência a realização de concurso público”, explicou.
Descontingenciamento
O senador da República Omar Aziz (PSD) adiantou que vai entrar essa semana com um projeto para acabar com o contingenciamento dos recursos da segurança pública de R$ 1,1 bilhão e ressaltou que o ministro Sérgio Moro apoia a iniciativa. Em relação às denúncias contra o ministro, ele disse que é preciso investigar.

(Foto: Jhonny Lima)
“Confio muito no ministro Sérgio Moro e espero que tudo isso seja esclarecido. Agora, qualquer um de nós, que tiver o celular exposto, tenha certeza que muitas coisas que você não fala em púbico, fala com sua mulher, seus amigos, suas irmãs… Você não pode julgar a ele por três rases que ele colocou. Ninguém aqui é perfeito, de padre a pastor, de juiz a promotor… Todos nós brincamos e compartilhamos coisas que não devemos”, comentou.
Arthur Neto alfineta Wilson Lima
O Prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), adiantou o conteúdo que iria falar com ministro Sérgio Moro e criticou o sistema de segurança na capital, ao afirmar que o sistema de segurança está “completamente podre”.
Sobre o massacre no sistema prisional do último dia 26 e 27 de maio, Arthur Neto enfatizou que não haviam pessoas preparadas para lidar com o caso. “Não temos palavras que defendam isso, a reação (da polícia) não foi rápida, me deu a impressão que as pessoas não estavam preparas para um caso como esse. Cinquenta e cinco vítimas é algo e não pode acontecer em lugar nenhum”, pontuou o prefeito.

(Foto: Jhonny Lima)
Em relação a fala do secretário de Administração Penitenciária, Marcos Vinícius, após o massacre nos presídios de Manaus no mês passado, de que não reconhece facções criminosas, o prefeito Arthur Neto acrescentou que Vinícius não deveria ter tido tal afirmação, por ser uma autoridade policial.
“Do jeito que está indo, ter uma determinada facção que se digladia com outra, vai tomar conta do Amazonas. Vai se tornar um Estado dentro do Estado e vai começar a corromper todas as instituições que ainda estão sadias. Sem dúvida algum, se depender deles terão vereador, deputados, pessoas da polícia, da justiça, pessoas de qualquer instância que se possa imaginar, então todas essas coisas devem ser passadas ao ministro com muita clareza”.
Arthur Neto comentou que havia sugerido ao governador Wilson Lima uma política de ajuste fisca. “Não adianta fingirmos que precisamos contratar gente e não se pode por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesses cinco meses, eu aconselhei o governador e se tivesse feito uma rígida política de ajuste fiscal, ele teria sobras para contratar uns agentes de segurança”, explicou.
Sobre as denúncias veiculadas pelo site “The Intercept Brasil”, o Prefeito de Manaus opinou sobre o caso. “Sinceramente, a minha opinião era melhor que esse diálogo não tivesse acontecido. Certas coisas não devem ser ditas, a conversa não foi a melhor. A conversa que vou ter com o ministro Moro será bem melhor que a conversa que foi publicada”, finalizou.





