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Manaus, 22 de julho de 2026
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Manaus, 22 de julho de 2026

Cidades

‘Muitas pessoas nem sabem que estão com depressão’, alerta psicólogo

A súbita morte do jornalista Cristiano Góes reabre a discussão para os cuidados que familiares e amigos precisam ter com pessoas que mostram sinais de depressão

'Muitas pessoas nem sabem que estão com depressão’, alerta psicólogo

O ‘Mal do Século’. É dessa forma que a depressão é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que estima em 800 mil suicídios por ano decorrentes de fatores depressivos em pessoas entre 15 e 29 anos. A súbita morte do jornalista Cristiano Góes reabre a discussão para os cuidados que familiares e amigos precisam ter com pessoas que demonstram sinais de doença. “Muitas pessoas nem sabem que estão em depressão”, alerta o psicólogo amazonense Augusto Rebelo.

Leia mais em: O jornalismo amazonense perde Cristiano Góes

“Somos nós, amigos e familiares, que devemos observar o comportamento dessas pessoas e perceber. Há um entendimento errado que não devemos falar sobre depressão e pensamentos suicidas. Isso está errado. Uma pessoa em depressão precisa ser ouvida. É preciso perguntar: você está bem? Quer conversar? Você está pensando em suicídio?”, afirma o psicólogo Augusto Rebelo, especialista em Psicoterapia em Intervenção e Prevenção do Suicídio.

Sinais

Nos últimos meses, o jornalista Cristiano Góes, vinha publicando em suas redes sociais textos que falavam de depressão. Numa das publicações, no início de dezembro do ano passado, ele comentou sobre a “Depressão Pré Ano Novo”. Em janeiro deste ano, Cristiano escreveu: “Depressão. Ela não escolhe classe social. Fique atento”. Veja imagens abaixo.

Para Augusto Rebelo esses já são sinais que podem indicar atenção redobrada e que precisam ser compreendidos pelas pessoas próximas. No entanto, Augusto diz que existem três tipos de depressão, e que muitas vezes, a pessoa pode apresentar casos em que não demonstra qualquer mudança de comportamento, a chamada “depressão sorridente”.

Augusto Rebelo, Especialista em Psicoterapia em Intervenção e Prevenção do Suicídio

Esse tipo acomete pessoas que não demonstram sintomas de depressão. Elas não aparentam esse humor depressivo. Como exemplo, o ator Robin Willians, Chico Anísio, o cantor Chorão, extremamente alegre nos palcos. Os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo. O próprio Winderson Nunes. São pessoas que não demonstram seus estados de depressão. E é onde é mais difícil de diagnosticar. Por isso, a atenção aos detalhes que mostram um comportamento diferente da pessoa”, diz Augusto Rebelo.

Há ainda outros dois tipos de depressão: Endógena e Exógena.

“A primeira tem fatores externos como o ambiente, uma frustração, um fim de relacionamento, o luto, por exemplo. São situações que afetam e mudam o humor da pessoa. A segunda, envolve fatores internos, como a baixa produção de serotonina, endorfina e adrenalina do corpo. O sujeito pode ter ganhado na loteria, estar bem com a família e o trabalho, e ainda assim terá o ânimo totalmente para baixo”, explica Rebelo.

Epidemia

Em Manaus, mais de 600 pessoas com depressão procuraram atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) entre janeiro de 2018 a novembro de 2019.

Em todo o país 5,8% da população, mais de 12 milhões de pessoas, sofrem de depressão. Esse número deu ao Brasil o título de país mais deprimido da América Latina pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A média global é de 4,4% da população de determinado país.

O diagnóstico, segundo esclarecimentos de Augusto Rebelo, é clínico e deve ser feito em conjunto por um médico e um psicólogo. Em casos mais leves, a consulta com um psicólogo ajudará a combater os sintomas da depressão. Nos mais graves será necessário o uso de medicamentos prescritos por um psiquiatra para amenizar o problema.

“É preciso lembrar que os remédios atuam nos sintomas e não na causa. Antidepressivos são usados, mas essa situação, essa depressão, está vindo de algum lugar e é preciso resolver isso. Caso contrário, a pessoa tomará remédios por muito tempo”, comenta o psicólogo.

Abaixo as publicações do jornalista Cristiano Góes.