(Foto: Divulgação/Freepik)
Manaus (AM) – Um levantamento divulgado pelo Movimento Livres, por meio do Índice de Disparidade Salarial (IDS) 2025, revelou que o Amazonas é o segundo estado do país com maior distância entre o salário dos deputados estaduais e a renda da população. O estudo mostra que um parlamentar amazonense ganha, em média, 28,1 vezes mais do que a renda domiciliar per capita dos habitantes do estado.
A pesquisa, que compara a remuneração de autoridades públicas com o rendimento médio da população em todas as unidades federativas, aponta um retrato preocupante da desigualdade institucional brasileira. O Amazonas fica atrás apenas do Maranhão, onde o índice chega a 31,1.
Para o cineasta amazonense Zé Leão, a diferença salarial escancara a desconexão entre quem cria as leis e quem vive sob elas.
“Os políticos sabem de forma muito especial criar leis que, em tempo instantâneo e muitas vezes no calar da noite, modificam os valores de seus salários a seu bel-prazer. Também injetam mecanismos que trazem um ganho a mais, com jetons que só eles sabem pra que existem. Já o trabalhador, que cumpre seis dias de trabalho por semana e muitas vezes mais de oito horas por dia, é o rei dos descontos em folha. O Brasil precisa copiar modelos de outros países, onde políticos enriquecem o povo, e não o povo enriquece e aceita todos os abusos de poder político”, critica.

(Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
O ativista climático e socioambiental Edson Kambeba também reagiu com indignação aos dados.
“Quando ouço que o salário de um deputado estadual é mais de 28 vezes maior que o de um trabalhador comum no Amazonas, a sensação é de profunda revolta. Essa disparidade revela o quanto o sistema político e econômico do nosso estado é desigual e distante da realidade da maioria da população”, afirmou.
Kambeba defende que o problema está na falta de sensibilidade social e de compromisso político com a realidade da base trabalhadora.
“Para reduzir essa desigualdade, é fundamental rever a estrutura salarial dos cargos públicos, especialmente dos cargos políticos, estabelecendo limites proporcionais e transparentes. Também é necessário fortalecer políticas de valorização do trabalho e criar mecanismos de participação popular que permitam maior fiscalização e controle social sobre os gastos públicos”, completou.

(Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
O Índice de Disparidade Salarial (IDS) foi calculado com base em dados do ano de 2024, garantindo rigor e consistência temporal. O índice resulta da relação entre a remuneração bruta mensal de autoridades públicas e a renda domiciliar per capita da população que elas representam.
Foram analisados cargos como presidente, governadores, deputados, prefeitos, vereadores e membros do Judiciário, utilizando dados oficiais do IBGE (PNAD Contínua) e dos Portais da Transparência. Quando informações não estavam atualizadas, foram usados dados de imprensa com verificação cruzada.
Para comparações internacionais, o estudo considerou dados de agências estatísticas de outros países e aplicou correção inflacionária com base na inflação acumulada até novembro de 2024, garantindo que todas as disparidades refletissem a realidade econômica mais recente.
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