Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Obra de R$ 4,8 milhões em Itamarati expõe ofensiva eleitoral de Wilson Lima

A obra, apresentada como necessidade urgente, surge justamente no momento em que Wilson Lima articula, nos bastidores, sua candidatura ao Senado.

(Foto: Divulgação/Arthur Castro)

Manaus (AM) – A poucos meses da largada oficial do período eleitoral de 2026, o governador Wilson Lima reforça movimentos políticos cada vez mais explícitos — e caros. Em meio à tentativa de aproximação acelerada com os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, o governo decidiu destinar R$ 4.839.501,55 para a construção de uma nova ponte de acesso ao aeroporto de Itamarati, um município pequeno, eleitoralmente estratégico e governado por um aliado de Eduardo Braga.

O valor consta no projeto básico da obra, aprovado pela Secretaria de Infraestrutura, que detalha que o recurso será usado para erguer uma ponte sobre o Igarapé do Periquito, localizada na Estrada do Quiriru.

A obra — apresentada como necessidade urgente — surge justamente no momento em que Wilson Lima articula, nos bastidores, sua candidatura ao Senado. Em paralelo, ele busca recompor pontes políticas com Braga e Omar, dois dos principais líderes do estado, cuja influência no interior é determinante para qualquer disputa majoritária.

Prefeito

Itamarati é comandada pelo prefeito João Campelo (MDB), que está no 4º mandato, aliado direto de Eduardo Braga e integrante da base política construída pelo senador no interior para sustentar seu projeto eleitoral. A destinação de uma obra milionária para um município de menos de 10 mil habitantes reforça a estratégia já conhecida do Governo: usar obras e anúncios de última hora como moeda de influência e troca político-eleitoral.

Obra com narrativa pronta

Segundo o Projeto Básico, a ponte atual apresenta problemas estruturais, como falhas no tabuleiro, ausência de drenagem e situação considerada tecnicamente insustentável, o que teria motivado a substituição completa da estrutura. O documento afirma que a ponte é o “único acesso ao aeroporto municipal” e que a nova construção permitirá “segurança, desenvolvimento econômico e integração regional” .

São argumentos que, em tese, sustentariam o investimento — não fosse o timing político. O governo poderia ter atuado antes, mas a obra aparece justamente quando Wilson Lima tenta recuperar força no interior, após sucessivas crises administrativas e investigações que desgastaram a imagem do Executivo.

No mesmo período em que mira uma vaga no Senado, Wilson Lima expande gastos em municípios estratégicos e recompõe alianças que ficaram abaladas desde sua primeira eleição. A ofensiva sobre Itamarati não foge ao padrão: verba alta, edital célere e execução de obra de forte impacto local — tudo às vésperas do início do calendário eleitoral.

A ponte será construída em 120 dias, com vigência contratual de 240 dias após assinatura, conforme o próprio projeto. Ou seja: sua inauguração tende a ocorrer em plena efervescência pré-eleitoral, oferecendo ao governador mais um palco pronto para discursos de “desenvolvimento” e “cuidado com o interior”.

A obra pode até ser necessária. Mas o uso político do investimento é impossível de ignorar — e deixa claro que Wilson Lima não está apenas construindo uma ponte em Itamarati. Está tentando pavimentar, às pressas, seu caminho rumo ao Senado.

Confira os documentos 

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