Manaus, 31 de julho de 2026
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Manaus, 31 de julho de 2026

Política

Parlamentares do AM criticam convocação de ato contra o Congresso

O presidente tem falado que o povo brasileiro deve protestar contra ações que julgue ruim para o país se referindo às manifestações do dia 15

(Foto: Pedro Ladeira/ Folhapress)

O presidente da República Jair Bolsonaro  (sem partido) convocou, mais uma vez, por meio de um vídeo divulgado no último sábado, 7, a população em geral para as ruas.

Ele negou que o ato seja anti-Congresso ou anti-STF ( Supremo Tribunal Federal), como divulgado no fim do mês passado, mas que seria um movimento “a favor do Brasil”. 

O ato está previsto em todo o país para o próximo dia 15 de março.

Políticos do Amazonas criticaram a atitude do presidente. 

Para o senador Eduardo Braga (MDB) agredir o Congresso Nacional é  agredir  o equilíbrio institucional e a democracia.

“É o debate político no Parlamento que equaciona tensões e interesses contraditórios da sociedade. Mais do que legislar, cabe ao Congresso fiscalizar e controlar os atos do Executivo, coibindo eventuais  abusos. Independente de posições partidárias ou ideológicas, é dever de todos respeitar e garantir o pleno exercício do Legislativo”, disse.

Eduardo ainda disse que com mais de 12 milhões de desempregados, o que o Brasil precisa agora é de bom senso e equilíbrio político para a construção de caminhos que destravem a economia e impulsionem a geração de renda e emprego. 

“Alimentar radicalismos, tensão entre os poderes e ataques ao Congresso é afrontar aos interesses do povo brasileiro e sua liberdade democrática”, criticou. 

O deputado federal José Ricardo (PT) avalia como grave a atitude do presidente da República em convocar a sociedade, num ato público contra os poderes judiciário e legislativo. 

“Nós queremos que o presidente cuide do Brasil, da saúde, da educação, da segurança e que até agora pouco foi realizado. Tudo indica que isso é uma forma de desviar a atenção da sociedade para o que é mais grave, para as ações do Governo para tirar os direitos dos trabalhadores, de entregar a Amazônia, as riquezas da região, para interesses estrangeiros”, disse. 

Para o deputado, o país deve lutar pela Constituição, pela democracia, pela garantia dos direitos, pelas instituições que devem estar a serviço da população. 

“E estou me somando a todas as pessoas que querem uma investigação. Que o Ministério Público e também o Ministério da Justiça possam investigar esse ato contra a democracia e contra o povo brasileiro”, defendeu Ricardo. 

 

“Presidente negou a convocação”, diz Pablo

O deputado federal Delegado Pablo Oliva (PSL) disse que o presidente negou a convocação. “Ele disse que suas mensagens são de cunho pessoal”, avaliou Oliva. 

Após a repercussão negativa, o presidente disse em suas redes sociais que tem 35 milhões de seguidores em suas mídias sociais (Facebook, Instagram, YouTube e Twitter), onde mantém “uma intensa agenda de notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional”.

 “Já no Whatsapp tenho algumas poucas dezenas de amigos onde, de forma reservada, trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, disse Bolsonaro.

O deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos) disse que não vê problema nenhum em a população cobrar “atitude” do Congresso.

“A gente vê a todo momento uma articulação para desconstruir o que o presidente vem fazendo no nosso país, um projeto de reconstrução. Esses ataques ao presidente a população fica revoltada porque foi democrático. Ele venceu nas urnas, não teve nenhum tipo de fraude eleitoral. Isso me revolta como parlamentar. A vergonha que o Congresso passa por criar legislações que afetam o estado como a Lei de Abuso de Autoridade, por exemplo”, disse Neto.

O parlamentar afirmou que “algumas medidas que o Congresso toma vão contra o que a sociedade espera”. 

“A população quer outra atitude do Congresso e não vejo problema nenhum em a população cobrar essa atitude do Congresso”, defendeu. 

 

 

Parlamento estadual

 

Ao Amazonas 1, o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) mostrou repúdio e considera a iniciativa de Jair Bolsonaro de mobilizar um ato contra o Congresso e ao STF um atentado à democracia.

“Considero um atentado à democracia e a Constituição que prevê a independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. E rechaço essa agressão aos dois poderes”, lamentou Serafim. 

Sobre o assunto, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Josué Neto (sem partido) disse à reportagem que o vídeo de Bolsonaro foi feito de forma pessoal e que a veiculação não foi autorizada. 

“A minha opinião é a mesma das palavras do Presidente Jair Bolsonaro, ou seja, ele fez o vídeo de forma pessoal e não autorizou a sua veiculação.  Além do mais, o ato democrático é de apoio ao Governo Bolsonaro. Não é contra ninguém e sim a favor da governabilidade”, afirmou Josué. 

 

CNBB vai interpelar o Bolsonaro

 

Em reportagem ao jornal Folha de São Paulo, 

o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, indicou nessa quarta-feira, dia 26, que a Igreja Católica poderá questionar o presidente Jair Bolsonaro por difundir vídeos que convocam para manifestações de apoio a ele e contra o Poder Legislativo, conforme revelado pelo site BR Político, do Grupo Estado. 

O bispo cobrou “responsabilidade” de quem foi eleito e “equilíbrio” entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

A cúpula dos bispos ainda deve ser reunir para analisar e decidir como se pronunciar sobre a convocação feita pelo presidente da República para a manifestação de 15 de março, cujo alvo é o Congresso Nacional e os “políticos de sempre”.

Por meio de uma assessoria política e da comissão episcopal de ação sócio transformadora, a CNBB mantêm conversas com representantes dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário.