(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Manaus (AM) – Em meio às articulações para as eleições de 2026, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) sinalizou uma mudança de estratégia política ao deslocar seus principais alvos do cenário amazonense para Brasília. Nesta segunda-feira (3), o parlamentar afirmou que não considera seus adversários os principais líderes políticos do Amazonas, a declaração foi dada em entrevista à Rádio Antena 1 Manaus.
O parlamentar retirou da linha de confronto nomes que disputarão protagonismo político no estado, como os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), além do governador Wilson Lima (UB) e preferiu direcionar sua retórica contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e setores que, segundo ele, dificultam o avanço da BR-319.
“Eu não considero o Braga adversário, o Alberto, nem o Wilson. Meu adversário é Marina Silva, é o ministro Moraes, é quem não gosta do Amazonas, é quem não quer a BR-319. São meus adversários.”
Embora mantenha divergências históricas com lideranças locais, Plínio optou por preservar o espaço político estadual enquanto intensifica críticas a personagens que já ocupam o centro da disputa ideológica nacional.
Ao justificar sua postura, o senador recorreu a uma metáfora para diferenciar sua atuação em Manaus da travada em Brasília.
“Aqui eu não uso espada. Aqui eu desembainho minha espada lá e eu ando de espada”, declarou.
As críticas a Marina Silva dão continuidade a um embate que já se estende há alguns anos. Em março de 2025, Plínio Valério gerou repercussão nacional ao declarar, durante um evento da Fecomércio-AM, que “imaginava” o que seria ouvir a ministra por mais de seis horas sem ter vontade “enforcá-la”. A fala foi amplamente criticada por parlamentares e entidades. Na época o senador afirmou que se tratava de uma “brincadeira”, mas disse que não se arrependia da declaração.
Nos últimos anos, Plínio se tornou um dos defensor da pavimentação da BR-319 e tem associado o impasse sobre a rodovia à atuação de órgãos ambientais e de autoridades federais, discurso que tende a ganhar ainda mais espaço durante o ciclo eleitoral.
Na prática, o senador revela uma leitura pragmática do cenário político: enquanto o Amazonas vive a formação de chapas e negociações entre grupos tradicionais, Plínio prefere nacionalizar o confronto, preservando pontes no estado e apostando em uma narrativa de enfrentamento contra Brasília para fortalecer sua posição no debate eleitoral de 2026.
Confira a declaração:
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