Manaus, 3 de setembro de 2026
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Manaus, 3 de setembro de 2026

Cenário

Quase R$ 15 bilhões: empréstimos viram marca das contas públicas do Amazonas

Estado tomou R$ 14,96 bilhões desde 2002 e tem R$ 14,17 bilhões a receber de devedores; gestão Wilson concentra 55% dos créditos.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) — O estado do Amazonas contratou mais de R$ 14,96 bilhões em empréstimos entre 2002 e 2026, montante próximo de todo o valor acumulado na dívida ativa do Estado, que alcançou R$ 14,17 bilhões, segundo dados de 2025 da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM).

Dos quase R$ 15 bilhões obtidos pelo Amazonas em operações de crédito ao longo de 24 anos, R$ 8,28 bilhões foram contratados durante a gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), entre 2019 e 2026. O valor corresponde a aproximadamente 55% de todo o montante levantado pelo Estado no período analisado.

Com isso, a administração Wilson Lima aparece, segundo o levantamento, como a que mais recorreu a recursos de bancos nacionais e internacionais.

O levantamento foi realizado pela BandNews Difusora FM com base em informações do Sistema de Análise da Dívida Pública, Operações de Crédito e Garantias da União, Estados e Municípios (Sadipem), plataforma do Tesouro Nacional.

Omar Aziz aparecem na sequência

O segundo maior volume foi registrado durante o governo de Omar Aziz (PSD), atualmente senador e candidato ao Governo do Amazonas. Entre 2011 e 2014, foram R$ 3,38 bilhões em operações de crédito.

Na administração do também ex-governador e atual senador Eduardo Braga (MDB), entre 2003 e 2010, o Estado captou mais de R$ 2,21 bilhões.

Já durante os três anos da gestão do ex-governador José Melo, cassado em 2017, foram concedidos aproximadamente R$ 779,4 milhões em créditos.

As operações foram utilizadas tanto para ampliar a capacidade de investimento do Estado quanto para substituir dívidas por outras com condições de juros consideradas mais favoráveis.

Dívida ativa passa de R$ 14 bilhões

Enquanto sucessivos governos recorreram ao crédito, o Amazonas acumulou R$ 14,17 bilhões em dívida ativa, formada por valores que pessoas físicas e empresas devem ao Estado e que não foram pagos dentro dos prazos previstos.

Os dois números estão em patamares semelhantes: a diferença entre tudo o que foi contratado em empréstimos desde 2002 e o estoque da dívida ativa registrado em 2025 é de cerca de R$ 784 milhões.

Entre os maiores devedores estão Petrobras, Ambev, Amazonas Distribuidora de Energia S.A. e Brasfanta Indústria e Comércio da Amazônia Ltda., esta última em recuperação judicial. Juntas, as dívidas atribuídas às quatro empresas representam mais de 25% do estoque total da dívida ativa.

Em entrevista a imprensa, o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) reconheceu que a falta desses recursos tem impacto nas contas públicas. Segundo ele, as operações de crédito são utilizadas para viabilizar investimentos em obras e políticas públicas diante da insuficiência dos recursos disponíveis exclusivamente no orçamento estadual.

O economista Mourão Júnior também apontou o cenário de juros elevados como um fator de pressão. Na avaliação dele, taxas altas ampliam o endividamento de empresas e famílias e podem afetar a capacidade de arrecadação estadual.

Os dados colocam em perspectiva duas cifras bilionárias das contas públicas amazonenses: de um lado, quase R$ 15 bilhões buscados pelo Estado junto a instituições financeiras em pouco mais de duas décadas; de outro, mais de R$ 14 bilhões que permanecem registrados como valores a receber de contribuintes.

 

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