Manaus, 31 de julho de 2026
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Manaus, 31 de julho de 2026

Cidades

Rodoviários fazem novo alerta e colocam transporte de Manaus sob risco de greve

Após a recente greve considerada abusiva pela Justiça, categoria volta a cobrar regularização dos salários até o quinto dia útil.

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(Foto: João Viana / Semcom)

Manaus (AM) – Menos de duas semanas após a greve que interrompeu a circulação de ônibus em Manaus, os rodoviários voltaram a colocar uma nova paralisação no horizonte. Nesta sexta-feira (31), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus (STTRM) usou as redes sociais para avisar que a categoria poderá cruzar os braços novamente caso os salários não sejam depositados até o quinto dia útil do próximo mês.

Na publicação, o dirigente afirmou que os trabalhadores não aceitarão novos atrasos salariais.

“O recado é claro: se até o quinto dia útil do próximo mês o pagamento da categoria não cair, vamos parar tudo de novo. Chega de atraso, chega de descaso com quem move a cidade todos os dias. A categoria já avisou, agora é esperar pra ver se vão nos ouvir”, descreveu em suas redes sociais.

A manifestação ocorre poucos dias depois de uma greve que evidenciou o impasse financeiro envolvendo empresas de transporte, trabalhadores e os entes públicos responsáveis pelos subsídios do sistema. Apesar da retomada da operação, as divergências que motivaram a paralisação continuam sem uma solução pública e definitiva.

Última greve

A última greve dos rodoviários começou na tarde de 20 de julho, após o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus (STTRM) denunciar atrasos no pagamento dos salários e afirmar que as empresas descumpriram decisões judiciais que determinavam a regularização dos vencimentos.

A paralisação chegou a retirar 100% da frota de ônibus das ruas, afetando todas as zonas da capital e prejudicando cerca de 450 mil passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo, segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Em resposta, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que não havia sido comunicado previamente sobre o movimento, disse manter diálogo com a categoria e recorreu à Justiça para garantir a retomada da operação. No mesmo dia, o IMMU afirmou que a Prefeitura de Manaus não possuía débitos pendentes com o sistema em 2026 e que os repasses financeiros estavam sendo realizados regularmente.

Ainda durante a paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinou o retorno imediato da circulação dos ônibus e considerou, em decisão liminar, a greve inicialmente abusiva por entender que o movimento não cumpriu exigências previstas na Lei de Greve, como a comunicação prévia aos usuários e a manutenção dos serviços essenciais. A decisão estabeleceu multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento e determinou que o sindicato dos trabalhadores não impedisse a saída dos veículos das garagens.

A crise também expôs o impasse sobre o financiamento do transporte coletivo. Enquanto o Sinetram alegou à Justiça que as empresas tinham cerca de R$ 190 milhões a receber da Prefeitura de Manaus, o prefeito Renato Junior negou qualquer inadimplência e afirmou que o município cumpriu todas as obrigações financeiras com o sistema em 2026. Segundo ele, a Prefeitura já havia destinado R$ 284 milhões em subsídios para manter a tarifa de ônibus em R$ 5, cobrir a diferença para a tarifa técnica, estimada entre R$ 8,20 e R$ 9,30, para garantir a operação do transporte coletivo e assegurar o Passe Livre Estudantil.

O Governo do Amazonas, por sua vez, afirmou não ter responsabilidade pela paralisação, mas antecipou o repasse de R$ 18 milhões referentes ao subsídio do Passe Livre Estadual. O depósito foi confirmado pelo vice-governador Serafim Corrêa, que informou que a medida buscava contribuir para a normalização do serviço e reduzir os impactos da greve sobre a população.

Nova ameaça mantém sistema sob pressão

A nova manifestação do Sindicato dos Rodoviários indica que o encerramento da greve de julho não eliminou a principal causa do conflito: a insegurança em torno do pagamento dos trabalhadores. Enquanto empresas, Prefeitura e Governo do Estado apresentam versões distintas sobre a situação financeira do sistema, a categoria volta a condicionar a continuidade da operação ao cumprimento do calendário salarial.

Com o anúncio, Manaus poderá enfrentar uma nova paralisação, recolocando em evidência um impasse que, até o momento, segue recorrente no transporte coletivo da capital.

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