Em resposta ao material publicado pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), que afirma que médicos do Amazonas estariam fraudando a folha de frequência para não cumprir expediente, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna disse começou o ‘Caça as bruxas’ contra a classe médica.
Mário Vianna disse que vem recebendo com muita preocupação a série de matérias destacando fiscalizações em que apontam a figura do médico como protagonista do péssimo atendimento nas unidades de saúde em Manaus. “Em meio a tanta precariedade nas maternidades e todas as demais unidades de saúde do estado e município, as ações realizadas pela gestão escolhe destacar suposta ausência médica em plantão como principal problema identificado”, relatou Vianna.

O presidente do Simeam disse que o caso de ‘suspeita’ de ausência médica durante plantão precisa ser esclarecido. (Divulgação)
O presidente do sindicato disse que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas, realizou inspeção no Instituto da Mulher Dona Lindu e como resultado da fiscalização, foi destacado a ‘suspeita’ de ausência de profissional médico previsto na escala de plantão, além da prática de registrar o ponto de entrada, depois retornar para registrar a saída, segundo a direção do Instituto.
“A atual conjuntura formada por uma série de entraves que continuam emperrando os trabalhos na área da saúde precisa ser analisada, bem como todas as figuras envolvidas e suas responsabilidades”, ressaltou o médico.
Segundo o médico, o caso de ‘suspeita’ de ausência médica durante plantão precisa ser esclarecido. Mário Vianna disse que o Simeam obteve informações que durante as fiscalizações os representantes da comitiva procuram pelo profissional mencionado na escala de plantão.
“Provavelmente a comitiva não sabe ou não foi informada que em alguns casos, há a troca de plantão. Então, claro que o médico da escala não estará na unidade e sim, o colega que assumiu o plantão”, explicou o presidente do Simeam, doutor Mario Vianna, acrescentando que essa mudança de plantão é um direito do profissional.
“O serviço é prestado independente do médico previsto na escala. Mas fica claro que a fiscalização é dirigida ao médico e que procura dar a entender que a suposta ausência (quantos ausentes?) é o grande problema das maternidades e demais unidades de saúde de Manaus”, ressaltou Vianna.
Mário Vianna disse que é estranho que o médico, personagem tão massacrado pela gestão, e na hora em que por um possível motivo de necessidade, quem sabe até mesmo por motivo de problema familiar, o médico precise se ausentar seja ‘demonizado’. “Isso tá parecendo uma caça às bruxas, analisa o representante da classe, demonstrando preocupação com a imediata divulgação das inspeções sem as devidas apurações dos fatos. Ou seja, estão tirando conclusões sem o necessário aprofundamento e conhecimento dos fatos, além de expor a categoria a retaliações dos usuários do sistema, o que pode gerar conflitos perigosos numa relação que precisa ser de total confiança e empatia”, disse o presidente do Simeam.
Denúncias
O Simeam alertou para denúncias sobre as péssimas condições de trabalho, para a falta de reposição dos valores de plantão que tem se perdido nos últimos 15 anos, contabilizando um percentual importante, dentre várias reivindicações. “No caso da fiscalização no Instituto da Mulher, foi mencionado superficialmente sobre as questões de insumos sem sequer se detalhar nada e se admite que a equipe de obstetras é reduzida para as atividades do IMDL sem propor ou exigir soluções”, observa Mario Vianna.
Segundo o Simeam apurou, parece que agora a iniciativa da DPE em fiscalizar, está mais voltada neste momento para o recurso humano (nesse caso entenda-se o médico), do que a real condição das questões envolvendo o ambiente de trabalho, superlotação nas maternidades, centros cirúrgicos bloqueados porque não há leito de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) para os recém-nascidos serem internados, falta de fios de sutura, agulhas específicas, foco de luz, falta de kits cirúrgicos, medicação, dentre outras urgências que precisam ser evidenciadas, mas que não são.
Mário Vianna relatou uma situação específica nas maternidades, que é o trabalho desenvolvido pelos cirurgiões que fazem procedimentos do tipo acesso venoso dos recém-nascidos de baixo peso, outros com morbidades graves, nas piores condições possíveis, sozinho, sem a ajuda do segundo cirurgião como deveria ser e dentro de um centro cirúrgico que não apresenta condições para anestesiar recém-nascidos de acordo com o que preconiza a boa técnica da prática cirúrgica, para esse tipo de atendimento que é uma atividade de complexidade de média para alta, mas que não tem dentro das maternidades centros-cirúrgicos adequados para que esses procedimentos possam ser realizados.
“Essa questão será encaminhada pelo Simeam ao Creamam e a Sociedade Brasileira de Pediatria e de Cirurgia Infantil, bem como outras entidades médicas”, informou o médico.
“O Simeam entende que tanto o médico como todos os demais profissionais prestadores de serviços devam ser fiscalizados sim, isso é um direito da gestão. Porém, ficamos preocupados com o direcionamento dado aos médicos, diante de inúmeras necessidades para que se tenha uma saúde de qualidade”, denúncia Mario Vianna.
Para o presidente do Simeam as apurações do DPE, durante as fiscalizações deveriam identificar as reais problemáticas que prejudicam o sistema de saúde no Amazonas, de forma a contribuir junto ao governo, para a realização de ações com o objetivo de mudar a situação da saúde em todas as maternidades e unidades do estado e capital, sem esquecer o total abandono do interior.
Medidas
De acordo com o assessor jurídico do Sindicato dos Médicos, doutor Fabrício Santos, recentemente o sindicato encaminhou à Defensoria um ofício relatando denúncia feita por uma empresa médica sobre a falta de condições mínimas de trabalho e um relato elaborado com clareza entre a violência obstétrica que o Estado busca apontar e a verdadeira desassistência obstétrica que o Estado busca esconder.
“O Simeam entende que tal situação além de comprometer a saúde dos pacientes e a eficácia do atendimento, poderá trazer responsabilidade civil, criminal e ética ao profissional médico”, aponta o advogado.
No desencontro dos fatos, o presidente do Simeam acredita que o diálogo e a parceria entre todos os órgãos envolvidos, além das entidades de classe e a sociedade civil representada, devem trabalhar em conjunto com o propósito de encontrar soluções. “A Defensoria Pública do Estado tem sido parceira do sindicato na busca de melhores soluções para o atendimento de forma que preserve a vida do paciente e a qualidade do serviço médico” afirmou, acrescentando que “Estudaremos também a possibilidade de medidas judiciais a serem adotadas pelo sindicato para a garantia das condições de trabalho para os profissionais médicos”.





