Mapa destaca regiões apontadas como área de risco em Manaus (Foto: Divulgação/ Defesa Civil)
Manaus (AM) – A zona Leste de Manaus é a área mais afetada por riscos geológicos, sendo os maiores problemas relacionados a voçorocas de grandes proporções e ocorrências recorrentes de deslizamentos e inundações, como costumamos ver em períodos chuvosos. Mas, conforme os últimos dados publicados em 2019 pelo Relatório da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, esses problemas podem ser causados pelo crescimento populacional sem acompanhamento adequado de infraestrutura.
Dentre as áreas analisadas, foram encontrados 1.281 setores classificados como risco a deslizamento de terra; 319 para risco a inundações e alagamento; totalizando 1.600 áreas de risco geológicos, afetando assim cerca de 52.571 imóveis nessas localidades. O relatório aponta, ainda, que, aproximadamente 189.252 pessoas estejam vivendo em áreas de risco na cidade de Manaus, sendo 66.108 em risco alto ou muito alto.

Quantitativo das áreas de risco geológico mapeadas na cidade de Manaus. (Foto: Mapeamento das Áreas de Risco Geológico da Zona Urbana De Manaus/CPRM)
Zonas administrativas
Segundo o levantamento, a zona Leste de Manaus corresponde a 11 bairros: Armando Mendes; Colônia Antônio Aleixo; Coroado; Distrito Industrial II; Gilberto Mestrinho; Jorge Teixeira; Mauazinho; Puraquequara; São José Operário; Tancredo Neves e Zumbi.
Conforme os dados disponibilizados pelo Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a zona Leste de Manaus é a segunda mais populosa da capital, com 494.319 de moradores. Devido ao crescimento desenfreado sem o acompanhamento adequado de infraestrutura, é a zona que mais apresenta áreas de risco.

Quantitativo das áreas de risco geológico mapeadas na cidade de Manaus. (Foto: Mapeamento das Áreas de Risco Geológico da Zona Urbana De Manaus/CPRM)
“O rápido crescimento populacional e a brusca expansão horizontal do espaço urbano não foram acompanhados adequadamente por obras de infraestrutura e urbanização. Surgem, assim, as ocupações desordenadas em áreas impróprias para assentamentos, como encostas íngremes, fundos de vales e margens de igarapés, as quais, aliadas à carência de infraestrutura básica, ao tipo de solo da região e à grande pluviosidade local, deflagram os processos de erosão acelerada que são os principais responsáveis pelos deslizamentos, solapamentos, soterramentos e inundações que atingem principalmente a população mais carente que reside nessas áreas de risco”, aponta relatório.
A zona Sul, considerada a mais antiga da capital, apresenta problemas recorrentes a inundações devido às cheias do rio Negro. O relatório identifica que, nesta área, 18.876 pessoas estariam expostas às áreas de risco. O CPRM aponta os bairros Educandos, Centro e Petrópolis como os mais problemáticos em questão de infraestrutura.
Apesar das zonas Oeste, Centro-Oeste e Centro-Sul serem as menos problemáticas, respectivamente, em níveis de identificação de áreas de risco geológico, o quantitativo de situações de vulnerabilidade a voçorocas, deslizamentos, desmoronamentos e inundações correspondem ao quantitativo de 7.260 imóveis em risco, ou seja, aproximadamente, 26.132 pessoas são afetadas.
Identificação das zonas de risco
Ao Portal AM1, José Luiz Marmos, pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil, explicou que regiões naturalmente suscetíveis a inundações e movimentos de massa, quando não ocupadas, não podem ser identificadas como áreas de risco.
“Locais naturalmente suscetíveis a inundações e movimentos de massa, como fundos de vales, planícies fluviais e encostas íngremes, quando não ocupados, não representam áreas de risco. A partir do momento que essas áreas são ocupadas por moradias, na maioria das vezes de modo irregular, sem os devidos cuidados ambientais, passam a constituir áreas de risco, notadamente em regiões com altos índices pluviométrico, como em Manaus”, pontua pesquisador.
Segundo especialista, as mudanças climáticas que estamos observando ao longo dos anos podem causar prejuízos, especialmente, em áreas identificadas como zonas de risco. O pesquisador apontou, ainda, a tragédia no Rio Grande do Sul (RS) como exemplo.
“O aumento da pluviosidade em determinados locais, um dos efeitos das mudanças climáticas, tende a causar inundações mais severas em regiões já naturalmente suscetíveis a esse tipo de fenômeno (regiões com relevo rebaixado), como ocorreu recentemente no RS. Também esse aumento na pluviosidade pode ser um fator que acelere os movimentos de massa (deslizamentos de terra) em regiões declivosas e com ocupações antrópicas irregulares”, completa.
José Marmos explica que os relatórios e medidas recomendadas são enviados aos gestores municipais, após as identificações das áreas de risco, visando mitigar os efeitos dos fenômenos de inundações e deslizamentos de terra. Além disso, uma das sugestões é a retirada urgente dos moradores desses locais.
Recomendações
Como medidas preventivas, o relatório do CPRM aponta a necessidade de implementação de um projeto de esgotamento sanitário para garantir saúde pública e segurança ambiental aos moradores da capital do Amazonas como a elaboração e implementação de projeto de esgotamento sanitário que contemple a captação, tratamento completo e destinação adequada dos resíduos líquidos produzidos em toda a cidade de Manaus, de modo a garantir a saúde pública e a segurança ambiental da população, devolvendo ao rio os efluentes em condições satisfatórias ao corpo hídrico.
O relatório ainda justifica que os custos de um levantamento técnico para a organização da expansão urbana exigem um investimento inferior aos cofres públicos do que agir após as áreas de risco já terem causado prejuízos aos moradores da região.
A Prefeitura de Manaus oferece o Disque 199 (Defesa Civil), do Centro de Cooperação da Cidade (CCC), que opera 24 horas, em caso de ocorrências, para assistência imediata, os cidadãos podem entrar em contato.
Relembre casos
Em 2023, no mês de março, ocorreu deslizamento de terra no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus, que atingiu 9 casas e deixou 8 vítimas, segundo o Corpo de Bombeiros. O desmoronamento aconteceu após um forte temporal atingir a região. A área era classificada como uma zona de risco. Ao todo, 125 casas foram interditadas no entorno da rua Pingo d’Água.
Em períodos de chuvas intensas, áreas de riscos são mais vulneráveis a deslizamentos e inundações. Em maio deste ano, também na zona Leste de Manaus, na rua Pitinga, uma tubulação de água e uma ponte desabaram, levando perigo aos moradores da região.
Apesar de ser considerada a região mais vulnerável a deslizamentos e inundações, os casos não se limitam à zona Leste da capital. A zona Sul de Manaus, bairro Petrópolis, Rua Projetada 4, sofreu um deslizamento de massa que atingiu duas moradias na região.
Ainda em junho deste ano, a Prefeitura de Manaus notificou ocorrências causadas pelas precipitações em Manaus. Foram registrados um risco de tombamento na zona Oeste, um deslizamento na zona Norte, um bueiro aberto na zona Centro-Oeste e uma rachadura na zona Leste.
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