Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

1.194 mil pessoas estão fora da força de trabalho no Amazonas, aponta IBGE

Economista alerta para desocupação estrutural no Amazonas, causada por baixa escolaridade, desigualdade e falta de políticas de emprego.

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(Foto: BongkarnGraphic/Depositphotos)

Manaus (AM) – Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), referentes ao terceiro trimestre de 2025, mostram que 1.194 mil pessoas estão fora da força de trabalho no Amazonas. O número reúne aqueles que, por diferentes motivos, não buscaram emprego no período analisado.

O levantamento também revela que a taxa de desocupação no estado chegou a 7,6%, o equivalente a 154 mil pessoas desocupadas, enquanto o total de trabalhadores ocupados alcançou 1.872 mil.

Segundo o economista Lauro Brasil, os dados refletem um quadro de desocupação estrutural, marcado por entraves econômicos e sociais. Entre os fatores estão o perfil produtivo do estado, a baixa escolaridade, desigualdades territoriais e a ausência de políticas de emprego direcionadas à realidade amazônica.

Indústria cresce, mas não absorve toda a mão de obra

Apesar do bom desempenho recente da Zona Franca de Manaus (ZFM), a dinâmica industrial não tem sido suficiente para reduzir de forma significativa o contingente de trabalhadores fora do mercado.

“A ZFM tem apresentado resultados positivos. De janeiro a julho de 2025, o Polo Industrial de Manaus (PIM) faturou R$ 128,7 bilhões, alta de 11,95% em relação ao mesmo período de 2024, empregando em média 131,6 mil trabalhadores, um aumento de 9,3%”, explica o economista.

Em setembro, o polo registrou faturamento de R$ 20,07 bilhões, crescimento de 9,5% em 12 meses, impulsionado pelos setores de eletroeletrônicos, motocicletas e bens de informática.

Ainda assim, segundo Lauro, esses resultados não alcançam todo o potencial de redução do desemprego.

“O polo gera cerca de 130 mil vagas, mas a força de trabalho do estado supera 2 milhões de pessoas. Além disso, houve queda de 12% nas importações destinadas ao PIM em outubro de 2025, o que pode indicar desaceleração futura”, avalia.

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(Foto: Arquivo pessoal)

Informalidade é um dos maiores obstáculos

O Amazonas mantém uma das maiores taxas de informalidade do país. Em 2025, 51,5% da população ocupada trabalhava sem carteira assinada, cerca de 964 mil trabalhadores.

Mesmo com a queda do desemprego no trimestre, o emprego formal ainda é minoritário: havia apenas 481 mil trabalhadores com carteira assinada, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. A predominância de atividades de baixa produtividade, como comércio informal, extrativismo e agricultura de subsistência, ajuda a explicar esse cenário. Além disso, o estado tem salários médios cerca de 40% inferiores à média nacional, o que reforça a fragilidade das relações de trabalho.

“A informalidade amplia o número de pessoas fora da força, pois trabalhadores sem direitos e estabilidade acabam transitando entre ocupações precárias e períodos sem busca por emprego formal”, afirma o especialista.

O setor público segue como o principal empregador do estado, com 410 mil trabalhadores no 3º trimestre de 2025. Já o comércio perdeu 11 mil vagas no período.

Outro fator citado por Lauro é a pouca organização trabalhista: apenas 5,5% dos trabalhadores eram sindicalizados em 2024.

Baixa escolaridade mantém milhares fora do mercado

A fragilidade educacional é outro componente central do problema. No Amazonas:

  • 7,7% da população adulta não possui nenhuma instrução formal
  • Apenas 14,8% têm ensino superior completo
  • A frequência escolar entre adultos acima de 25 anos é inferior a 7%
  • Em 2018 havia 254 mil jovens “nem-nem”, dos quais 70% estavam fora da força de trabalho

Segundo o economista, a falta de qualificação profissional adaptada às demandas regionais agrava o problema.

“O estado ainda carece de cursos técnicos e programas de capacitação voltados à bioeconomia, tecnologia, logística e setores industriais especializados”, aponta.

Infraestrutura limitada e políticas pouco ajustadas à realidade amazônica

Para Lauro, o ambiente institucional também dificulta avanços no mercado de trabalho. Municípios isolados, baixa conectividade, carência de políticas integradas e falta de incentivos à formalização criam barreiras para inclusão produtiva.

“Grande parte das políticas federais e estaduais segue modelos do centro-sul e não considera as especificidades amazônicas. Falta coordenação e adaptação às realidades locais, sobretudo nas áreas ribeirinhas e interioranas”, conclui.

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