“Existe uma relação (com o governador) e uma não-relação (com o vice). Existe uma relação que não existe”, sentenciou o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Josué Neto (PSD) contra o vice-governador Carlos Almeida (PRTB). Carlos retribuiu o comentário ao dizer que as relações com os poderes são “às vezes pacíficas e outras vezes histriônicas”. A tensão entre os dois ocorreu na manhã desta terça-feira, 4, com a troca mútua de farpas na abertura do ano legislativo dos parlamentares.
Leia mais em: Wilson Lima afirma que os recursos do aumento na arrecadação serão usados na saúde
Segundo o dicionário Aurélio, o adjetivo ‘histriônico’, diz-se da pessoa “histérica que se comporta de maneira exagerada, buscando ser o centro das atenções; comediante, farsista ou palhaço”. A força da palavra utilizada pelo vice-governador contra o presidente da Assembleia dá a deixa de que a antipatia, antes restrita aos bastidores, torna-se pública e declarada.
Josué Neto afirmou que a relação de atrito do ano passado com o governador Wilson Lima (PSC) foi por conta de uma “grande rede de intrigas, armações e traições” e que em 2020, a relação entre ele e o governador será “sem atravessadores”, em uma referência quase direta a Carlos Almeida.
‘Não-relação’
Questionado objetivamente se manteria diálogo com o vice-governador, o presidente afirmou que “haverá respeito dentro das relações institucionais”, mas que nas demais questões “não há relação”.
Apesar de negarem publicamente, Josué e Carlos, são virtualmente concorrentes nas eleições para a prefeitura de Manaus no próximo mês de outubro. Hoje o presidente da Assembleia tenta viabilizar sua candidatura com a criação do ‘Aliança pelo Brasil’, enquanto Carlos Almeida segue como candidato natural do grupo do governador.
Eleições 2020
Confrontado com as declarações de Josué, o vice-governador afirmou que manterá “uma relação de maturidade” e que “faz parte do processo” as tensões entre os poderes. “O que tivemos ao longo de 2019, como o governador disse, foi um ano de construção difícil. Há gente que consegue aguentar os dissabores e outras que não”, disse Carlos.
Numa referência velada a Josué Neto, o vice-governador voltou a negar que será candidato nas eleições desse ano. “Uma coisa posso dizer claramente: eu não sou candidato. Aqui no Amazonas já houve gente que já registrou declaração em cartório de que não seria candidato e acabou sendo. A minha história registra minha ênfase nas minhas palavras: não sou candidato”, afirmou Carlos.
‘Conservador de direita’
Em novembro do ano passado o presidente da Assembleia afirmou que estava desistindo de concorrer às eleições municipais desse ano por não conseguir acordo com o PSD, do senador Omar Aziz. No entanto, corre contra o tempo, para viabilizar o partido do presidente Jair Bolsonaro e ter aval para concorrer no pleito.
Questionado hoje sobre o assunto, Josué voltou a confirmar suas intenções de ser o candidato “conservador e de direita” na disputa.
“O Coronel Menezes (Superintendente da Suframa) e as demais pessoas que representam o conservadorismo e a direita tocarão isso (disputar a prefeitura de Manaus) com a minha vontade de participar e isso (escolha de Josué) dependerá da vontade do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o presidente.
Sem cumprimentos
Já no início da solenidade de abertura na ALE-AM dois fatos garantiram a animosidade entre Josué Neto e Carlos Almeida para o resto do dia. No primeiro, após convidar o governador Wilson Lima para compor a mesa, o presidente da Assembleia quebrou o protocolo da ordem das autoridades e chamou em seguida o Superintendente da Suframa, Coronel Menezes, e somente após isso, convidou o vice-governador a compor a mesa.
No segundo momento, Josué Neto não cumprimentou o vice-governador no momento de compor a mesa. Veja abaixo.





