MANAUS – “O trade está em dificuldades e os guias de turismo estão passando fome. Muitos já se foram com esta doença”. O relato é do empresário Olímpio Carneiro, que há 20 anos trabalha no setor turístico do Amazonas e garante nunca antes ter passado por uma situação igual.
Com duas ondas da covid-19 no estado, o setor vem lutando para sobreviver. O impacto maior veio no início deste ano, com o agravamento da crise hospitalar e a determinação de duras medidas restritivas que coincidiram com período da alta temporada. Neste ano, o setor turístico esperava uma maior movimentação.
Segundo o empresário Geraldo Neto Mesquita, conhecido com “Gero”, que está com sua agência de turismo e uma pousada fechadas há 11 meses por causa da crise sanitária, a família já chegou a passar fome.

Na primeira foto, um guia turístico trabalhando antes da covid-19. Em seguida, outro guia produzindo farinha para se sustentar na pandemia. (Foto: Arquivo pessoal/ Geraldo Mesquita)
“Não tenho de onde tirar dinheiro. Fico desesperado em ver minhas filhas sem poder estudar porque minha internet está lenta por inadimplência, por ver minha sogra pedir comida e não ter e por ver minhas filhas sem poder ter o básico para sobreviver”, contou.
Gero trabalha há 26 anos com turismo no Amazonas e conta que, no interior do estado, muitos guias turísticos nativos que trabalhavam com ele também estão passando necessidades. Para se sustentar e gerar renda, eles estão produzindo farinha em flutuantes, já que a cheia dos rios impede a realização do trabalho em terra firme.
Desemprego em massa
Segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), a perda de empregos no setor é estimada em 1 milhão de vagas – incluindo funcionários diretos e indiretos (de outras empresas que prestam serviços relacionados à atividade). Entre esses números estão ex-funcionários da agência de Carneiro, que reduziu o quadro de funcionários de oito trabalhadores para apenas um.
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“O turismo foi afetado 100% e ainda estamos sentindo o reflexo da pandemia, pois não temos turistas e o povo de Manaus está em casa com medo de sair. Nossa estratégia são as mídias sociais, mas está difícil. O povo está sem dinheiro”, acrescentou Carneiro.
Assim como ele, o empresário Jair Becil também reduziu o quadro de funcionários. “Reduzi 70% dos meus funcionários, eu precisei fazer isso, mas sigo firme e com visão. Estou me preparando do jeito que posso para me reerguer quando tudo isso passar”, contou.
Diante desse cenário, o presidente da Federação do Comércio de Bens e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota, afirma que o futuro do setor no Amazonas é incerto.
“Os hoteleiros estão com o índice de ocupação baixíssimo e isso tem se transformado em uma grande dificuldade. Nós não sabemos quando essa pandemia vai passar, quantos hotéis vão realmente conseguir atravessar esse momento de tantas dificuldades”, concluiu.





