Foto: Sergio Lima
Brasília, DF – O senador do Amazonas, Eduardo Braga (MDB), se livrou, na última terça-feira (3), do processo que apura suposto ‘caixa 3’ nas eleições de 2012. Naquele ano, eram realizadas as eleições para a Prefeitura de Manaus, nas quais o eleito foi o então prefeito Arthur Neto (PSDB). O parlamentar, no entanto, ainda carrega diversas outras polêmicas que embalam sua vida política – que começou em 1981 – como vereador da capital.
O caso mais recente, inclusive, é justamente a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) que, em 2019, o acusou de crime eleitoral. A acusação apontou suposto ‘caixa 3’, que teria consistido na ocultação de doações de empresas durante a prestação das contas eleitorais.
Mas o caso foi arquivado, já que a defesa de Eduardo Braga pediu a rejeição da denúncia. O argumento era o de que, em 2012, o senador era presidente do diretório estadual e o crime eleitoral exige conduta personalíssima do presidente do diretório municipal.
Em contrarrazões, a PGR reconheceu o erro na denúncia e indicou a ausência de justa causa para o prosseguimento da ação penal, especificamente em relação a Braga.
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Eletrobras
Além disso, em maio deste ano, houve o vazamento de informações privilegiadas no processo de privatização da Eletrobras envolvendo Eduardo Braga. Os deputados federais Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Glauber Braga (PSOL-RJ) apresentaram na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma denúncia para que seja investigada a relação entre o senador e o empresário e acionista da Eletrobras, Lírio Parisotto.
Segundo os parlamentares, há indícios de violação de regras que favoreceria Lírio, já que Braga será o provável relator da medida provisória no Senado, que prevê a privatização da empresa.
Para os parlamentares, a relação próxima entre ambos dá a Lírio Parisotto grande influência política e, possivelmente, acesso a informações privilegiadas no debate sobre a privatização da empresa – o que potencialmente cria vantagens que violam as normas de mercado.
Arena da Amazônia
Esse caso lembra outra polêmica envolvendo Eduardo Braga e que gira em torno da construção da Arena da Amazônia, em Manaus, em 2014. Na época, o governador do Amazonas era o atual senador Omar Aziz (PSD).
Acontece que, em 2016, a TV Globo transmitiu, com exclusividade, partes de depoimentos dos ex-diretores da empresa Andrade Gutierrez, responsável pela construção do estádio, a procuradores da Lava Jato. Nos relatos, os ex-executivos revelaram que para ganhar a obra da Arena da Amazônia, pagaram propina ao governo e que “pagar propina para o Governo do Amazonas era rotina”.

Vale destacar que antes de Omar Aziz, o governador do Amazonas era Eduardo Braga, que comandou o estado de 2003 a 2010.
Os depoimentos de Clóvis Primo e Rogério Nora de Sá revelam, ainda, que a construtora ajudou na elaboração do edital da licitação; que já havia um acordo com Braga, da garantia de propina de 10% sobre o valor de cada obra da empreiteira. Segundo Rogério de Sá, foram pagos entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões a Braga.
Odebrecht
Em 2017, delator e executivo da Odebrecht, Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, revelou que havia acordos entre Eduardo Braga e a empresa, relacionados à construção da Ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba, inaugurada em 2011.

Na época, Braga foi suspeito de receber R$ 1 milhão em pagamentos indevidos da Odebrecht quando era governador do Amazonas, segundo inquérito autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os pagamentos teriam como objetivo favorecer o consórcio integrado pelas empresas Camargo Corrêa e Construbase para conquistar o projeto.
No ano seguinte, esse mesmo inquérito seria arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro Alexandre de Moraes, depois de 15 meses de investigação, não foram produzidas provas suficientes que justificassem o prosseguimento da investigação.
Jatinho
Em 2019, outra polêmica sobre o senador Eduardo Braga veio à tona. O parlamentar estaria dando voltas com seu suposto jatinho Citation PP-MDB, que teria custado US$9 milhões (R$33,4 milhões). De acordo com denúncia na imprensa local, o jato foi usado por Eduardo Braga em campanhas eleitorais e viagens de lazer aos Estados Unidos e ao Caribe.
O avião foi comprado, segundo as informações, pela empresa Etam, do consórcio que construiu a ponte sobre o Rio Negro no governo de Eduardo Braga; senador negou as acusações.

Eleições 2022
Eduardo Braga foi governador do Amazonas duas vezes, em dois mandatos seguidos, de 2003 a 2010. Há alguns ele vem acumulando algumas derrotas em relação a quem ele escolhe apoiar ou fazer coligação. Nas eleições de 2020, Braga apoiou Amazonino Mendes (sem partido) para prefeito de Manaus, porém, o político foi derrotado por David Almeida (Avante).
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As especulações são de que Eduardo Braga tente, mais uma vez, assumir o comando do Governo do Amazonas. Os indícios são de que ele já vem se articulando para isso ao fazer parte da CPI da Covid no Senado. Outro indício são as diversas viagens que ele já vem fazendo pelo interior do Amazonas nas últimas semanas.
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