Fotos: Divulgação/Acervo pessoal
MANAUS – No ano de 1848, em 24 de outubro, a vila de Manaós se tornou uma cidade denominada Barra do Rio Negro e, posteriormente, veio a se chamar Manaus. Nos dias atuais, a história da capital amazonense ganha destaque por meio do trabalho de artistas como Rosimeire da Conceição Anjos, de 52 anos.





Conhecida como Rosa dos Anjos, ela se dedica às artes plásticas há 34 anos e, inclusive, é conhecida mundialmente pelos seus feitos. Natural do Pará, escolheu Manaus para viver e aos 18 anos se mudou para trabalhar em uma fábrica na capital amazonense.

De personalidade forte e empreendedora, iniciou sua vida na arte confeccionando miniaturas. Rosa dos Anjos trabalhava em uma praça e participou de campanhas, projetos, e até que conseguiu trabalho fora do Brasil. Em Roma, participou de uma exposição com 140 artistas e desde então tem dado vida a muitas obras que podem ser apreciadas em seu ateliê, situado no Centro de Manaus, na rua Tapajos, número 19, ao lado da igreja São Sebastião.

Suas obras estão em diversas partes da cidade, como por exemplo, a escultura da Onça – Pintada, no Centro de Instrução de GUerra da Selva (CIGS) e o banco em formato de folha no Parque do Mindu.



Para Rosa, a arte é muito importante na geração de renda de uma cidade. Ela frisa que vive disso e destaca o quanto é importante para ela e para outras mulheres que pensam viver e empreender por meio de trabalhos artísticos.
“Quero mostrar para os meus amigos artistas que é possível sim viver de arte”. E Rosa garante que vive de suas pinturas, desenhos, artesanatos, biojoias, confecção de móveis e objetos de decoração, além de montagem de esculturas em argila e cimento, na qual ela é especialista.



Rosa também idealizou a luta para que os profissionais artistas plásticos e artesões do município de Manaus pudessem ter o seu espaço cultural no Lago São Sebastião para mostrar seus belíssimos trabalhos e levar o sustento para sua família.
Graças a mais essa conquista, da abertura da Praça São Sebastião, que diversos artistas da arte e cultura mostram a pintura ao vivo no Largo todos os domingos. Sua reivindicação, junto à Prefeitura de Manaus, permitiu que os grafiteiros locais fossem reconhecidos e valorizados em espaços públicos para que eles pudessem expor sua arte.

PRESENTE AO PAPA
Em março deste ano, o conselheiro indígena, padre Justino Sarmento Rezende, do povo Tuyuka, entregou ao Papa Francisco, durante um dos encontros do Sínodo para Amazônia, no Vaticano, o quadro “Voo da Paz” confeccionado pela artista Rosa dos Anjos.
Na ocasião, Rosa fez, ainda, uma aliança de tucumã verde e maduro simbolizando, representando o Encontro das Águas, ambos entregues para o Papa, com a simbologia e preocupação do homem com a natureza e preservação da Amazônia.
Segundo Rosa, a imagem foi inspirada em uma fotografia. E foi produzida com um metro meio de altura por oitenta de largura, pintada com a técnica de óleo sobre tela.
“Eu queria mandar para o Vaticano, mas não sabia como podia fazer isso. Como o meu ateliê fica ao lado da Igreja São Sebastião, no Centro, conversei com o pároco, frei Paulo Xavier que me contou que havia o Sínodo em Roma, foi aí que disse para levarem a tela para o Papa com a finalidade de mostrá-lo que nós preservamos sim a Amazônia”, revelou a artista.

“Estamos preocupados com a preservação e a questão ambiental. A tela e a aliança foram levadas pelos melhores mensageiros que são os nossos indígenas e para mim foi uma honra muito grande poder ter dado como lembrança a nossa maior memória que é a Amazônia para o Papa Francisco, celebridade no mundo inteiro”, destacou ela sobre o feito.
Rosa dos Anjos conta que o quadro “Vôo da Paz” mostra uma garça voando bem perto de uma árvore, na cabeceira de um lago, que tem uma árvore seca e atrás a continuidade da floresta, significando a renovação. Pois a Amazônia dá a sensação de paz e oportunidade de vida”, frisa.
Rosa dos Anjos é autora de projetos como a construção da árvore de Natal, que é construída com materiais recicláveis, e envolve as associações e cooperativas de Coleta Seletiva.


No interior da cidade do Amazonas, tem obras em cimento armado em Tefé, Coari e Caapiranga. Rosa dos Anjos, sempre fez seus trabalhos com contrapartidas sociais, utilizando mão de obra local, ensinando o ofício das artes na comunidade onde são realizados trabalhos, e na oportunidade, Rosa realiza palestras sobre empreendedorismo e deixa o legado e a mensagem de educação e respeito ao próximo e ao meio ambiente.
Para Rosa, trabalhar com a arte é como viver seu sonho todos os dias.
“Ensinar o que eu sei, ensinar arte. Para mim não é um hobbie e sim um estilo de vida”, revela.
Em Manaus, Rosa produziu, por exemplo, a escultura da Onça-Pintada do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e o banco em formato de folha no Parque do Mindú.
No Estado do Pará, Rosa dos Anjos fez diversas esculturas com árvores e raízes. A artista conta que foi sua arte que deu esperança para muita gente e, principalmente para ela mesma. Ela explica que a arte é o seu fôlego de vida e o motivo pelo qual respira. “Não podemos parar de viver, eu vivo de arte. Para empreender na arte você precisa investir em você”, ressalta a artista, que em meios à pandemia também teve seus momentos de angústia, visto que cogitou, inclusive parar com seus trabalhos.


A primeira aflição veio quando foi diagnosticada com uma doença neurológica que afeta os movimentos causando tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular – que é o mal de Parkinson.
Durante a pandemia de covid, Rosa sofreu com a perda de seu pai, seu irmão e quase perdeu a própria vida, quase chegou a ser entubada; mas venceu. E foi a ajuda de amigos, em seu ateliê, que faziam campanhas e trocavam artes por cestas básicas, que ela viu a importância em continuar vivendo e investindo em sua arte. “Trabalhar com a arte é como viver um sonho todos os dias”, reitera Rosa.





