Manaus, 7 de julho de 2026
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Economia

Amazonas está entre os cinco estados que mais fecharam empresas em 2023

Segundo o Mapa das Empresas, houve aumento de 32,8% se compararmos com os dados de 2022.

Fechamento de empresas 2023 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Manaus (AM)O Amazonas está entre os cinco estados com o maior percentual de empresas fechadas em 2023, 20.214, um aumento de 32,8% se compararmos com os dados de 2022, segundo o Mapa das Empresas, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

Fechamento empresas (Foto: Reprodução)

Conforme o economista Altamir Cordeiro, o dado que representa os encerramentos de empresas no estado parte da resistência de pessoas que não buscam conhecer o mercado antes de investir.

“Muitas vezes, as pessoas fazem empreendimentos no impulso ou por necessidade. Algumas pessoas perdem o emprego e decidem montar um negócio. O que falta na maioria das pessoas é um plano de negócios. No plano de negócios, você tem um estudo de mercado, você tem um panorama daquele empreendimento que você está entrando, então você já tem mais ou menos uma visão de todas as positividades e negatividades. Ou seja, os fatores de ameaças e de oportunidades, que a gente chama de análise de swot. A gente sabe o que pode ou não favorecer. Então, muita gente não faz isso e não cumpre esse trabalho de fazer um plano de negócios e aí, às vezes, começa um negócio, um empreendimento sem ter o planejamento, sem ter capacidade de empreendedorismo”, disse o especialista.

Altamir acredita, ainda, que muitas pessoas acham que ser empreendedor “é só montar uma empresa e começar a operar”. Além de destacar a necessidade de capacitação, ele é didático e aconselha sobre o tema.

“Eu aconselho as pessoas que querem montar um negócio próprio a fazer isso, conhecer o que está montando, no que está empreendendo. Seja na área de culinária, restaurante, sushi, bolos, confeitaria, para isso eu tenho que ter habilidades ou ter as pessoas certas para atuar no meu empreendimento”, comentou em entrevista ao Portal AM1.

É interessante destacar que, embora o estado tenha atingido mais de 20 mil empresas fechadas no ano passado, esse número não superou o total de negócios abertos, que chegou a 40.797, entre microempreendedores individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP), segundo relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM).

Em relação aos encerramentos, os dados do Sebrae no Amazonas indicam que, em 2023, 19.861 empresas fecharam as portas, ante 14.761 negócios fechados em 2022. Os dados abrangem apenas MEIs, ME e EPP.

Empreendedorismo

Para o economista, que é defensor do empreendedorismo, o empreendedor nato abre e fecha uma empresa, “sem problema nenhum”. “Ele volta sempre, o empreendedor nato não se derrete pela primeira queda, ele levanta novamente e segue em frente”, analisa.

No entanto, Cordeiro aponta outros pontos que podem contribuir para o encerramento de empresas, não só no Amazonas, mas também no Brasil. Taxas e impostos, por exemplo.

“Às vezes, você desconhece as suas obrigações e acaba entrando num problema financeiro”, observa o profissional.

O especialista esclarece, ainda, que esses encerramentos das entidades têm a ver com um panorama econômico do país.

“A gente está passando por uma reforma tributária, que está sendo regulamentada, a gente tem um prazo de 10 anos para alguns impostos deixarem de existir e outros começarem a vigorar. Isso também vai afetar muito a vida das empresas”, avaliou.

O número de empresas fechadas, segundo o economista, gera impacto na economia local e geração de empregos, por exemplo, de diferentes formas, mas não necessariamente é algo “negativo”. Isso porque, além de ser necessário cruzar dados complexos sobre esses empreendimentos, muitos trabalhadores podem retornar ao mercado de trabalho ao fechar seus negócios.

Ele citou o período da pandemia de Covid-19, “onde muita gente perdeu o emprego, mas muita gente também abriu empresas”.

Dessa maneira, Altamir Cordeiro é otimista sobre o mercado de trabalho e empreendedorismo, mas alerta para os embaraços impostos pela política.

“Hoje, o mercado de trabalho no Brasil está um pouco aquecido, ainda temos muitas dificuldades. O horizonte do país depende muito da ação política. O governo precisa deixar o mercado calmo para poder os investimentos surgirem e, consequentemente, novos empregos serem gerados no país”, defende o economista.

 

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