(Foto: Frepik.com/ AM1)
Por Fabrício Paixão*
Manaus decidirá seu próximo prefeito em breve. Ao que tudo indica, esse candidato será avaliado pela linguagem. Os eleitores não irão considerar os fatos e históricos dos pretendentes. Aristóteles já dizia que a melhor maneira de ter uma cidade justa é através da habilidade desenvolvida pela experiência. Isso não conta agora. O que importa é a comunicação. Qual é o candidato que fala o que eu gosto de ouvir? Qual é o candidato que me faz sorrir como os influenciadores do TikTok? O problema é que Manaus não é um celular. Manaus não é um vídeo do YouTube em que posso dar um like por gostar do conteúdo.
Nessa eleição, percebo que Manaus não votaria numa pessoa “muda” e trabalhadora. Estamos precisando de candidatos que nos “engravidem” pelos ouvidos, que nos falem com a emoção de um meme. Um meme é muito melhor para assistir. É leve, descontraído e nos cativa a atenção, nos distraindo dos problemas reais. A linguagem do meme é uma fuga de nossas dificuldades cotidianas, um certo alívio de nossas dores.
O que preocupa é que, na querida Manaus, a linguagem do meme não será para fugir dos problemas reais, numa busca de alívio paliativo momentâneo, mas será decisiva para eleger o prefeito que irá encarar os problemas reais da cidade. A linguagem do meme não será usada apenas quando o manauara estiver deitado no sofá assistindo a um vídeo viral depois de um dia cansativo no trabalho. Será usada na hora do voto.
O meme que proporciona fuga dos problemas reais do manauara será uma arma para eleger o prefeito que irá enfrentar as dificuldades concretas do indivíduo que está com o celular na mão. O meme que distrai será aquele que terá a responsabilidade de trabalhar para eliminar a causa da necessidade da distração (problemas reais). Estranho isso, não é?
O prefeito que usar a linguagem usual da internet vencerá. Trabalhador não terá vez. Esta geração tem pavor de silêncio. Queremos um prefeito falante, usando a linguagem dos memes e influenciadores.
Um vídeo viral trará mais votos do que o currículo do candidato. Aliás, talvez Manaus de fato seja uma espécie de TikTok: quem fizer um vídeo bacana terá mais likes.
E o que vai acontecer em 1º de janeiro de 2025? Vamos perceber que a bateria do celular descarregou, daí os vídeos darão lugar às ruas esburacadas, à mobilidade urbana péssima, ao transporte coletivo sucateado, às UBSs fechadas.
Ah, Manaus. Se puder, deixe o silêncio dos candidatos falar mais alto do que suas musiquinhas, danças e linguagem de meme. Que o silêncio do trabalho descrito em seus currículos tenha mais peso nas escolhas do futuro prefeito.
(*) Professor, advogado, filósofo, psicólogo e teólogo.





