(Foto: Valdo Leão/Semcom)
Manaus (AM) – O número de candidatos negros a cargos majoritários nas eleições de Manaus ainda é considerado insignificante, mesmo com os avanços na legislação e na sociedade brasileira contra o racismo. Um exemplo é o pleito de 2024 para a Prefeitura de Manaus, que conta com apenas um candidato negro, Gilberto Vasconcelos (PSTU).
Gilberto Vasconcelos, ao PortalAM1, destacou a contradição de uma população majoritariamente negra – pretos e pardos, representando 77,1% segundo dados do IBGE – não ter uma candidatura negra presente no primeiro debate, para discutir as necessidades dessa grande parcela da população manauara.
“Devemos tratar da falta de representatividade indígena em nossa cidade e estado, o que é uma contradição enorme em uma região como a nossa, com problemáticas tão peculiares. Isso mostra que a maioria das candidaturas está completamente desligada das necessidades da população, composta por pessoas privilegiadas e ligadas a velhas oligarquias”, apontou.
Vasconcelos destacou ainda que a chapa dele é composta por pessoas negras.
“Eu atuo na educação pública municipal, dentro e fora da sala de aula. Nossa vice é do movimento popular e também da classe trabalhadora. A pauta central da nossa candidatura, que expressa os setores mais oprimidos e explorados da sociedade, é sobre as condições de vida, o desemprego, a violência e a miséria. Afirmamos a necessidade de a classe trabalhadora tomar o poder”, pontuou.
Atualmente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do total de 1.446.122 eleitores em Manaus, apenas 0,55% se identificam como pretos. O percentual é ligeiramente superior ao de eleitores indígenas, que somam 0,1% do eleitorado.

Ações afirmativas promovidas pela Justiça Eleitoral buscam aumentar a representatividade desses grupos nas eleições, contribuindo para uma real democracia, como prevê a Constituição Federal de 1988.
Candidatos na eleição de 2024
Sete candidatos confirmaram suas candidaturas à Prefeitura de Manaus durante as convenções eleitorais. Em seguida, registraram os nomes no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), para o primeiro turno das eleições, que será realizado em 6 de outubro, e, caso tenha o segundo turno, será no dia 27 do mesmo mês.
Os candidatos confirmados para o pleito deste ano são: David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Wilker Barreto (Mobiliza), Alberto Neto (PL), Marcelo Ramos (PT), Amom Mandel (Cidadania) e Roberto Cidade (União Brasil).
Eleição de 2020
Nas eleições de 2020, Gilberto Vasconcelos foi o único candidato negro a disputar a Prefeitura de Manaus. Naquele ano, os candidatos foram: Amazonino Mendes (Podemos), Capitão Alberto Neto (Republicanos), Alfredo Nascimento (PL), Chico Preto (DC), David Almeida (Avante), Zé Ricardo (PT), Ricardo Nicolau (PSD), Marcelo Amil (PCdoB), Romero Reis (NOVO) e Coronel Menezes (Patriotas).
Eleição de 2016
Em 2016, além da ausência de candidaturas femininas na disputa pela Prefeitura de Manaus, não houve candidatos negros. Todos os postulantes se declararam brancos ou pardos. Os candidatos daquele ano foram: Artur Neto (PSDB), Henrique Oliveira (SD), Hissa Abrahão (PDT), José Ricardo (PT), Luiz Castro (Rede), Marcelo Ramos (PR), Professor Queiroz (PSOL), Serafim Corrêa (PSB) e Silas Câmara (PRB).
Eleição de 2012
Em 2012, também não houve candidaturas negras. Os candidatos foram: Sabino Castelo Branco (PTB), Jerônimo Maranhão (PMN), Luiz Navarro (PCB), Pauderney Avelino (DEM), Arthur Neto (PSDB), Vanessa Grazziotin (PCdoB), Henrique Oliveira (PR), Serafim Corrêa (PSB), Amazonino Mendes (PTB) e Hebert Amazonas (PSTU).
Negros e povos originários
O portal AM1 conversou com o cientista político Helso do Carmo Ribeiro, e segundo ele, além da população negra, é importante observar a representatividade dos povos originários. Ele ressalta que, proporcionalmente, há mais pessoas de origem indígena do que de origem negra no Amazonas.
“Esse contingente tem interesse, tanto a população negra quanto a indígena, e os partidos também deveriam ter. Mas o problema não é apenas ter candidatos, é ter candidatos com viabilidade eleitoral, o que requer aporte financeiro. Muitas vezes, os partidos lançam candidatos negros, mas não lhes dão o suporte necessário para uma campanha viável”, afirmou.
Cotas raciais em candidaturas
Foi aprovada no Senado uma lei que altera a Constituição para obrigar os partidos a destinarem 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário às candidaturas de pessoas pretas e pardas. Essa cota já será válida para as eleições deste ano.
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