(Foto: Douglas Magno/AFP)
Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo condenado em 2013 a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, voltou a ser notícia após anunciar seu retorno ao futebol. Aos 40 anos, Bruno foi apresentado como novo reforço do Azul e Branco Futebol Clube, time amador de Armação dos Búzios (RJ), e comemorou a nova fase com um vídeo nas redes sociais, publicado na última sexta-feira (30). O goleiro assinou contrato até dezembro de 2025.
Mas enquanto o ex-jogador celebra, a dor de quem ficou para trás só aumenta. Em entrevista exclusiva ao portal NaTelinha e à jornalista Drika Oliveira, nesta segunda-feira (2), Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza, expressou sua revolta diante da repercussão do retorno de Bruno aos gramados.
“É um tapa na minha cara isso tudo. Não há justiça pela morte da minha filha, e agora ele [Bruno] segue a vida, sorrindo, jogando bola, enquanto meu neto cresce sem a mãe e sem o que é de direito dele”, desabafou Sônia, referindo-se à pensão alimentícia não paga para Bruninho, filho de Eliza com Bruno, hoje com 15 anos.
Sônia, que cria o neto desde o crime, diz carregar diariamente o peso de uma justiça que, em sua visão, falha com as vítimas.
“Ele pode reconstruir a vida dele. E a minha filha? E meu neto, que teve a infância marcada por esse trauma?”, questiona.
O caso de Eliza Samudio chocou o país em 2010 e continua sendo lembrado como um dos crimes mais brutais da história recente do Brasil. Apesar da condenação de Bruno e de outros envolvidos, as feridas emocionais seguem abertas — sobretudo para aqueles que convivem com a ausência de Eliza diariamente.
Bruno cumpre liberdade condicional desde janeiro de 2023. A decisão que permite sua reintegração parcial à sociedade vem gerando debates intensos sobre a eficácia do sistema penal brasileiro e o limite entre reabilitação e impunidade.
Esta não é a primeira vez que Bruno busca retomar a carreira no futebol após sua condenação. Só em 2025, ele já atuou por dois clubes amadores, o Independente, também do Rio, e o EC Betel, de Minas Gerais. A trajetória do goleiro tem sido marcada por tentativas de reinserção social através do esporte, mesmo diante da repercussão de seu passado.
Recentemente, Bruno foi flagrado trabalhando como entregador de móveis no Rio de Janeiro, mostrando sua busca por novas oportunidades profissionais. Paralelamente, seu filho, Bruninho, também trilha seu caminho no futebol, tendo passado pelas categorias de base do Athletico-PR e, atualmente, defendendo o Botafogo.
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