UBS Edilson Martins Eirunepé - Foto: (SISMOB)
Brasília (DF) – Mesmo com R$ 306 milhões previstos para o Amazonas em obras do Programa de Aceleração e Crescimento (PAC), 77% das construções seguem paralisadas no estado. Os dados são do Tribunal de Contas da União (TCU) e apontam que, das 163 obras paradas, 61 estão relacionadas à saúde pública, com mais de R$ 14 milhões investidos pelo governo federal.
Em Eirunepé, por exemplo, duas Unidades Básicas de Saúde estão com aproximadamente 50% das obras concluídas desde 2014. Cada estrutura custou aos cofres públicos R$618,4 mil.
Com mais de 10 anos de paralisação, as construções aparecem no SISMOB como integrantes do programa Requalifica UBS, do Ministério da Saúde. A prefeita do município, Áurea Maria Ester Marques (MDB) confirmou ao Portal AM1 que existe uma paralização das obras. Ao questionar sobre a documentação das unidades, Marques afirmou que tem dificuldade de acesso aos projetos pois a gestão anterior não permitiu uma transição de governo regular.
“Ainda estou tendo dificuldade em acessar muitas informações necessárias para dar continuidade à gestão”, disse a prefeita.
A situação se repete em Canutama, onde a UBS João Rodrigues de Amorim, no bairro São Francisco, está com 90% da obra concluída. O investimento federal foi de R$ 527,2 mil. Assim como em Eirunepé, a unidade também integra o programa Requalifica UBS.
- UBS João Rodrigues de Amorim – Foto: (SISMOB)
- UBS Edilson Martins Eirunepé – Foto: (SISMOB)
As imagens registradas na plataforma mostram estruturas inacabadas, sem instalações básicas, envoltas por mato alto, ferragens expostas e ausência total de atividade nos canteiros.
A reportagem questionou os gestores municipais, sobre o andamento e acompanhamento das unidades, e aguarda retorno.
Qual é o prazo estipulado para execução das obras?
Segundo informações do Ministério da Saúde, o estado ou município teria em média, a partir da ação preparatória, 720 dias até a inauguração da obra, ou seja, quase dois anos de prazo. Mas, na realidade, o que é apresentado no painel é a falta de compromisso das gestões com a finalização das unidades propostas, mesmo com o recurso enviado.
Em 2025, o Amazonas enviou 533 pedidos para a segunda etapa do Novo PAC Seleções. Na área de saúde foram 295 solicitações. Entre elas estão pedidos de UBSs, unidades odontológicas, Centros de Atenção Psicossocial e ambulâncias.
- Unidade Básica de Saúde – 56
- Equipamentos para UBS – 62
- Equipamento para teleconsulta – 62
- Novas ambulâncias – 17
- Renovação de frota SAMU – 4
- Unidades Odontológicas Móveis – 50
- Centros de atenção Psicossocial – 41
- Policlínicas – 3
Existe cobranças da bancada do Amazonas?
O Portal AM1 questionou os deputados federais, Sidney Leite (PSD), Capitão Alberto Neto (PL) e Amom Mandel (Cidadania) sobre as obras paralisadas, mas até a publicação deste material não houve retorno dos parlamentares. Neste ano, a bancada do amazonas destinou em emendas para saúde R$ 264,4 milhões. No caso das emendas individuais, entre 2023 e 2025 os deputados enviaram R$ 179,8 milhões.
- Capitão Alberto Neto: R$: 38,2 milhões
- Amom Mandel: R$ 22,9 milhões
- Sidney Leite: R$ 42,7 milhões
- Silas Câmara: R$ 37,9 milhões
- Adail Filho: R$ 19,2 milhões
- Saullo Vianna (Licenciado): R$ 18,9 milhões
A reportagem também procurou a destinação de emendas realizadas pelo suplente, Pauderney Avelino (União Brasil), mas o Portal da Transparência não apresentou nenhum dado, assim como para as emendas do deputado federal Fausto Junior (União Brasil).
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