(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Mesmo inelegível e enfrentando restrições jurídicas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continua sendo uma figura decisiva no cenário político brasileiro. Para o cientista político Carlos Santiago, a situação de Bolsonaro se agravou significativamente nos últimos dias tanto no campo jurídico quanto no político, o que, no entanto, não significa o fim de sua influência eleitoral.
Em entrevista ao Portal AM1, o cientista político Carlos Santiago afirma que o ex-presidente enfrenta agora limitações severas.
“Ele está sendo monitorado pelo estado 24 horas por dia, tem dificuldades para se comunicar, fazer articulações políticas e participar de eventos públicos. “Do ponto de vista jurídico, a situação dele ficou gravíssima”, afirma o analista.
Segundo ele, pesquisas mais recentes indicam uma queda no capital político de Bolsonaro. Um dos motivos apontados por Santiago é a repercussão negativa da suposta interferência do presidente dos Estados Unidos, em temas da política interna brasileira, o que teria agravado a imagem do ex-presidente junto à opinião pública.
“Aquele capital político que estava em alta até semanas atrás entrou numa corrente negativa. Bolsonaro começa a perder apoio popular, e segue inelegível para o próximo pleito. Isso cria um cenário de disputa entre aliados próximos para herdar sua base eleitoral”, destaca Santiago, citando nomes como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR).
Apesar do desgaste, o analista ressalta que o bolsonarismo continua mobilizando uma base fiel, o que mantém o país sob forte polarização.
“Os seguidores de Bolsonaro não vão desaparecer. Mesmo ele sendo condenado pelo Supremo Tribunal Federal, a polarização continua sendo uma realidade brasileira”, observa.
Contudo, Santiago ressalta que somente os votos bolsonaristas não garantem vitória em eleições majoritárias.
“Já foi demonstrado, inclusive em eleições como a de 2024 em Manaus, que apenas se declarar bolsonarista não é suficiente para vencer. É preciso ampliar alianças, conquistar novos segmentos da sociedade e dialogar com o centro político.”
Na avaliação do cientista político, tanto a direita quanto a esquerda precisarão buscar o centro político se quiserem vencer em 2026.
“Nem Lula, nem um representante extremado da direita vão ganhar sozinhos. Será necessário construir alianças eleitorais mais amplas, capazes de atrair o eleitorado que não se identifica com os polos da polarização.”
Para ele, a terceira via contínua é uma possibilidade remota, diante do clima ainda fortemente polarizado entre lulismo e bolsonarismo.
“É muito difícil surgir um nome viável fora dessa disputa. A única forma de quebrar essa lógica é com uma ampla frente política que unifique diferentes setores em torno de um projeto comum”, finalizou.
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