Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Governo do AM vai destinar R$ 61,2 mi a clínica pediátrica para atendimentos

A microempresa sediada em Manaus é especialista em "atividade médica ambulatorial restrita a consultas".

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(Foto: Diego Peres, Alex Pazuello e Mauro Neto/Secom)

Manaus (AM) – Em novo capítulo da terceirização bilionária da Saúde, o Governo do Amazonas homologou contrato de R$ 61.236.304,35 com a Cardiobaby, Clínica de Cardiologia Pediátrica Ltda., para atendimento pediátrico especializado a internações hospitalares nas maternidades e unidades femininas do Estado.

O despacho, assinado pelo ordenador de despesas Sílvio Romano Benjamin Junior, saiu apesar do decreto de limitação de empenhos, mais um exemplo de como o discurso de “contingenciamento” não atinge os grandes contratos, apenas a ponta do sistema que segue sem insumos, equipes completas e leitos adequados.

Segundo dados da Receita Federal, a Cardiobaby tem 22 sócios, entre eles Alessandra Campos Cavalcante Della Coletta e Ana Luiza Menezes Teles Novelleto, é uma microempresa sediada em Manaus e especialista em “atividade médica ambulatorial restrita a consultas”.

O contraste político é gritante: enquanto o Executivo justifica cortes e postergações com a limitação de empenhos, contratos milionários com a rede privada seguem sendo assinados.

O cenário fica ainda mais grave diante da operação “Metástase”, deflagrada em outubro deste ano pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) para apurar fraudes e favorecimentos em contratos da Saúde.

Foram 101 mandados cumpridos, com ações em Manaus e Joinville (SC), segundo o próprio MPAM.

Não há, até aqui, qualquer menção oficial de que a Cardiobaby integre o alvo da operação. Mas o fato objetivo é que o ambiente de contratações da SES-AM está sob suspeita por fraudes e direcionamentos.

Destinar R$ 61,2 milhões em plena “tempestade investigativa” é uma escolha política e administrativa: prioriza-se o avanço de grandes contratos enquanto a base do sistema público continua entregue à improvisação. É exatamente o tipo de contradição que sustenta o descrédito da política de “contingenciamento”: corta-se onde o usuário percebe; mantém-se, e acelera-se, onde poucos enxergam.

Confira o documento: 

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