(Foto: Divulgação /Instituto Onça-Pintada)
Manaus (AM) – Um vazamento de fluido de perfuração levou à paralisação temporária das atividades em um poço exploratório da Petrobras na Foz do Amazonas, no último domingo (4).
O incidente ocorreu no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, após a equipe identificar queda no nível do fluido durante uma operação de rotina. A estimativa é de que as operações fiquem suspensas por 10 a 15 dias.
De acordo com informações da Petrobras, a perda de fluido ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço. O vazamento foi contido e isolado, e as linhas serão levadas à superfície para avaliação e reparo. A estatal destacou que o poço e a sonda não foram afetados.
“A ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, informou a empresa, acrescentando que o fluido é biodegradável e está dentro dos limites de toxicidade permitidos, sem risco ao meio ambiente ou à população. Os órgãos competentes foram notificados.
Para inspeção, a Petrobras acionou um robô submarino operado remotamente (ROV), garantindo monitoramento detalhado da área afetada.
Ecossistema e riscos ambientais
A Bacia da Foz do Amazonas ocupa uma extensa faixa do território marítimo que se estende do Amapá até a Baía do Marajó, na Margem Equatorial. A região é considerada uma das mais biodiversas do planeta, com recifes, manguezais e espécies endêmicas que sustentam ecossistemas marinhos vitais. Esses ambientes também garantem a segurança alimentar de milhares de pessoas, especialmente nas comunidades costeiras da Amazônia.
A exploração de petróleo nesta área representa alto risco de contaminação por vazamentos de óleo e poluição química, podendo comprometer ecossistemas sensíveis, a saúde humana e a subsistência das comunidades locais. Operações desse tipo afetam diretamente cidades e populações, intensificando vulnerabilidades socioambientais.
Em abril de 2024, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), com apoio do Greenpeace Brasil, demonstrou em estudo que um derramamento de óleo na região poderia atingir países da Pan-Amazônia e alcançar a costa do Amapá e do Pará, com impactos devastadores sobre a vida marinha e as comunidades locais.
Monitoramento e perspectivas
A Petrobras reforçou que está realizando todos os procedimentos de monitoramento e manutenção para evitar qualquer agravamento da situação. Especialistas em meio ambiente alertam, no entanto, que mesmo fluidos biodegradáveis podem gerar impactos locais temporários e que a fiscalização contínua é fundamental para prevenir acidentes maiores em uma região tão sensível.
A paralisação do poço Morpho destaca a tensão entre a exploração de petróleo e a preservação ambiental na Amazônia, evidenciando a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção de ecossistemas estratégicos para o Brasil e para a Pan-Amazônia.
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