(Foto: Reprodução /Diogo Zacarias)
Manaus (AM) – As possíveis saídas antecipadas de ministros do primeiro escalão reacendem o debate sobre uma reforma ministerial e colocam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do desafio de equilibrar governabilidade, respostas ao eleitorado e articulação política em um momento decisivo do mandato.
Já comunicaram ao presidente o desejo de deixar seus cargos ainda no início deste ano Ricardo Lewandowski, do Ministério da Justiça, e Fernando Haddad, da Fazenda.
As sinalizações foram feitas em conversas diretas com Lula no fim de 2024 e indicam mudanças iminentes na equipe ministerial. Lewandowski pretende deixar o Ministério da Justiça ainda em janeiro, possivelmente até o fim desta semana, enquanto Haddad sinalizou disposição para permanecer até fevereiro, a fim de garantir uma transição mais organizada na Fazenda.
No caso da Justiça, a saída de Lewandowski ocorre em meio a críticas à atuação do governo na área de segurança pública, tema que lidera as preocupações do eleitorado segundo pesquisas recentes.
Dentro do ministério, há divergências sobre o momento da saída: técnicos defendem que o ministro permaneça até a votação da PEC da Segurança Pública, que ainda precisa avançar na Câmara e no Senado.
As críticas internas são direcionadas principalmente à Casa Civil, comandada por Rui Costa. Secretários também afirmam que projetos prioritários da pasta, como a PEC da Segurança Pública e propostas de combate a facções criminosas, foram desvirtuados durante a tramitação legislativa.
Na Fazenda, a possível saída de Fernando Haddad ocorre em um momento de reorganização interna e de encerramento da agenda mais reformista do início do terceiro mandato de Lula. Antes mesmo da saída do ministro, Marcos Barbosa Pinto deixou a Secretaria de Reformas Econômicas. A tendência é que o secretário-executivo, Dario Durigan, assuma o comando interino da pasta.
Haddad tem demonstrado interesse em atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula em 2026, embora o PT avalie outros caminhos políticos para o ministro, como uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.
A decisão final sobre o momento e o formato das mudanças caberá ao presidente Lula, que avalia se promove ajustes pontuais ou uma reforma ministerial mais ampla para enfrentar as dificuldades de articulação política e responder às principais demandas do eleitorado.
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