(Foto: Divulgação /Redes Sociais)
Manaus (AM) – O levantador de toadas do Boi Garantido, David Assayag, participou do programa Sem Censura, da TV Brasil, apresentado por Cissa Guimarães, e falou sobre sua trajetória artística, marcada por desafios pessoais, escolhas profissionais e pela consolidação de seu nome como uma das principais vozes do Festival Folclórico de Parintins.
Ao ser questionado sobre o início de sua carreira, David contou que canta desde os oito anos de idade. Ainda jovem, enfrentou a perda do pai e passou parte da infância em Belém. Aos 16 anos, após sofrer um acidente que resultou na perda da visão, retornou a Parintins, cidade onde deu os primeiros passos profissionais na música.
Na época, atuava em bandas de baile e interpretava repertório popular nacional, especialmente o rock brasileiro, contribuindo para movimentar a cena musical local.
David afirmou que sua entrada no universo das toadas ocorreu a partir de um convite do compositor José Carlos Portilho, ligado ao Boi Caprichoso. Mesmo sem experiência no ritmo, David passou a integrar o grupo na época chamado “Sangue Azul”, quando as gravações ainda eram feitas em fitas cassete, distribuídas à torcida. Aos 18 anos, decidiu dedicar-se exclusivamente à toada e mudou-se para Manaus em busca de maior visibilidade artística.
O reconhecimento nacional veio em 1996, com a toada Vermelho. Segundo o cantor, a música ganhou projeção após ser interpretada pela cantora Fafá de Belém durante o Festival de Parintins daquele ano. A gravação ao vivo ocorreu no programa Vamos Brincar de Boi, da TV Amazonas, que reunia grandes públicos. Para David, o episódio representou um marco decisivo em sua carreira.
Durante a entrevista, Cissa Guimarães destacou um aspecto pouco comum em sua trajetória: a atuação nos dois bois rivais do festival, Caprichoso e Garantido.
David começou no Caprichoso em 1988, inicialmente como cantor de apoio, naquele período Arlindo Júnior ocupava o posto de levantador oficial. Em 1994, aceitou o convite para integrar o Garantido, onde permaneceu por 15 anos.
Em 2009, após divergências internas, David retornou ao Caprichoso, decisão que gerou repercussão e polêmica entre torcedores. Segundo ele, a passagem pelas duas agremiações contribuiu para ampliar sua compreensão sobre a cultura do festival e sobre a convivência com as diferenças.
No programa, o cantor também citou a toada Olhar de Curumim, obra recente marcada por conteúdo crítico e social, exemplificando o papel da toada como expressão artística e política. David lembrou ainda que o título de “Voz da Amazônia” foi atribuído a ele por Phelippe Daou, empresário e comunicador que teve papel central na história da televisão amazonense.
Ao comentar sobre o alcance do Festival de Parintins, David afirmou que o evento já ultrapassou as fronteiras regionais. Segundo ele, o festival atrai público de diversas regiões do Brasil, especialmente do Sudeste, além de visitantes internacionais.
“Hoje o Brasil reconhece, e o mundo também começa a reconhecer”, afirmou.
A entrevista reforçou a importância de David Assayag na consolidação do Festival de Parintins como um dos maiores eventos culturais do país e evidenciou a dimensão nacional e internacional da cultura popular amazônica.
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