O negócio coloca o Brasil ainda mais no centro do mercado global de terras raras, insumos considerados essenciais para a transição energética e para indústrias de alta tecnologia. A Serra Verde é atualmente a única produtora em larga escala fora da Ásia das quatro principais terras raras magnéticas, incluindo elementos de alto valor estratégico, como disprósio, térbio e ítrio.
Esses minerais são usados na fabricação de ímãs permanentes aplicados em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones, robótica e sistemas de refrigeração de alta eficiência. Também têm papel relevante em setores como defesa, aeroespacial, semicondutores e energia nuclear.
De acordo com a USA Rare Earth, a transação será estruturada com pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, enquanto o restante será quitado por meio da emissão de novas ações da companhia. A previsão é que a conclusão ocorra no terceiro trimestre de 2026, após aprovações regulatórias e etapas contratuais.
A aquisição reforça o interesse dos Estados Unidos em diversificar o abastecimento global de minerais críticos e reduzir a dependência asiática, especialmente da China, que concentra grande parte da produção e do refino mundial desses materiais.
Para o Brasil, o negócio é visto como sinal de valorização das reservas nacionais e do potencial do país em integrar cadeias industriais estratégicas. O diretor de Operações do Grupo Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou que a negociação fortalece o protagonismo brasileiro nesse mercado.
Segundo ele, a operação comprova a capacidade do Brasil de liderar o desenvolvimento de cadeias globais de suprimento de terras raras e reconhece a qualidade operacional da Serra Verde, além do compromisso da empresa com práticas responsáveis.
Com a venda, Goiás se consolida como um dos principais polos latino-americanos de minerais críticos, em um momento em que governos e empresas aceleram investimentos para garantir acesso a matérias-primas consideradas vitais para a economia de baixo carbono e para a segurança industrial global.