Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Violência contra mulheres cresce no AM e exige ação efetiva

Mesmo com leis, falha na execução das políticas públicas mantém estado entre os mais violentos para mulheres no Brasil.

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(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Apesar de avanços na legislação voltada à proteção das mulheres, o Amazonas segue enfrentando um cenário crítico de violência de gênero, com falhas na execução das políticas públicas e ausência de estrutura adequada para garantir direitos básicos.

A avaliação é da presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM) no estado, Eriana Azevedo, que aponta um descompasso entre o que está previsto na lei e a realidade enfrentada pelas mulheres amazonenses.

“O estado avançou na legislação, inclusive sendo pioneiro em temas como violência obstétrica e importunação sexual. Mas lei no papel não muda a vida de ninguém. Se não tiver execução, orçamento e estrutura, ela vira uma lei morta”, afirmou.

Amazonas entre os estados mais violentos

Segundo Eriana, o estado aparece entre os três com maiores índices de violência contra a mulher no país, o que revela a fragilidade das políticas públicas.

“Não basta criar lei. É preciso garantir que ela funcione. E hoje a gente ainda vê dados crescentes de violência, inclusive com casos extremos como feminicídio”, disse.

Ela explica que o feminicídio é apenas o estágio final de um ciclo de violência que começa de forma silenciosa.

“Nunca começa com agressão física. Começa com controle, com ciúme, com proibição, com pequenas violências que vão escalando”, destacou.

Violência obstétrica expõe falhas no sistema

Um dos exemplos citados por Eriana é a violência obstétrica, que vai além de procedimentos médicos.

“Ela começa desde a recepção. Um atendimento desumano, um descaso, tudo isso já configura violência. A mulher está em um momento de extrema vulnerabilidade e deveria ser acolhida”, afirmou.

Ela reconhece avanços pontuais, como mudanças na gestão de unidades após denúncias, mas ressalta que o problema é estrutural.

“Às vezes você tem um equipamento bom, mas não tem humanização no atendimento. Isso compromete tudo”, disse.

Interior agrava desigualdade

A situação se torna ainda mais grave fora da capital. Mulheres da zona rural e ribeirinha enfrentam falta de acesso a serviços básicos.

“Tem mulher no interior que não tem acesso à saúde, à educação, a nada. São realidades completamente diferentes dentro do mesmo estado”, afirmou.

Caminho passa por política pública real

Para Eriana, a solução passa por investimento contínuo e não ações pontuais.

“Não adianta projeto isolado. Precisa de política pública estruturada, com orçamento garantido e continuidade”, concluiu.

Assista à entrevista na íntegra:

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