(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom /Agência Brasil)
Manaus (AM) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (22) que irá se reunir na próxima segunda-feira (25) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para tratar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
A proposta deve avançar na Câmara na próxima semana e é considerada uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo federal.
Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula afirmou que a redução da carga horária é uma medida necessária para melhorar as condições de trabalho dos brasileiros, mas reconheceu que a aprovação depende de articulação política.
“Obviamente, não temos força para aprovar tudo que a gente quer, então temos que negociar”, disse o presidente ao comentar as negociações com parlamentares e representantes dos setores produtivos.
Lula reforçou que a intenção do governo é implementar a mudança de forma integral, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais sem impacto nos salários dos trabalhadores.
“Estamos trabalhando com a mentalidade retrógrada de gente que parece moderninha na televisão, mas, no trato com o subordinado, não tem nada de moderno. Nós defendemos que a redução seja de uma vez, de 44 para 40 horas, sem reduzir salário”, afirmou.
Planalto avalia período de adaptação
Enquanto busca apoio para aprovar a PEC, o Palácio do Planalto estuda alternativas para diminuir a resistência de setores empresariais. Entre as possibilidades está a criação de um período de transição entre dois e cinco anos para que as empresas possam se adequar gradualmente às novas regras.
A proposta, entretanto, divide opiniões dentro do próprio governo. Há integrantes do Executivo que defendem a implementação imediata da redução da jornada, sem qualquer prazo de adaptação.
Relatório será apresentado na próxima semana
O deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da PEC, adiou para segunda-feira (25) a apresentação de seu parecer sobre a matéria. Inicialmente, o documento seria divulgado na última quarta-feira (20).
A expectativa é que a proposta seja votada na comissão responsável já na terça-feira (26), etapa considerada fundamental para definir o futuro da iniciativa no Congresso Nacional.
Debate ganha força no país
A discussão sobre o fim da escala 6×1 tem mobilizado trabalhadores, sindicatos e entidades empresariais em todo o país. Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode aumentar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental dos profissionais e estimular a criação de novos postos de trabalho.
Por outro lado, representantes do setor produtivo alertam para possíveis impactos financeiros e operacionais, especialmente em segmentos que dependem de escalas contínuas de funcionamento.
Com a reunião marcada para a próxima semana, o governo tenta construir consenso político para viabilizar uma das mudanças mais significativas nas regras trabalhistas brasileiras das últimas décadas.
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