(Foto: Reprodução /Youtube Aleam /Divulgação Aleam)
Manaus (AM) – A eleição do deputado estadual Adjuto Afonso (União Brasil) para a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), realizada nesta quarta-feira (15), foi marcada por críticas à condução do processo que redefiniu o comando da Casa.
Embora o parlamentar tenha sido eleito com ampla maioria, 19 votos favoráveis e cinco contrários, a votação evidenciou o desconforto de parte dos deputados com a forma como a sucessão foi conduzida.
Entre as vozes mais críticas esteve a deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD), que justificou o voto contrário afirmando que a decisão da bancada não foi direcionada contra o nome de Adjuto Afonso, mas contra o procedimento adotado para viabilizar sua efetivação na presidência.
Segundo a parlamentar, o PSD votou pela preservação da independência do Poder Legislativo e por discordar da alteração normativa utilizada para consolidar a posse do novo presidente.
“O PSD também não concorda com a forma como foi feita a efetivação do cargo, numa resolução que tratava de nomenclatura da Comissão de causa animal. Inclusive, acho que foi um desgaste desnecessário para esta Casa”, declarou.
Na avaliação da deputada, a resolução que tratava originalmente apenas da mudança de nomenclatura de uma comissão permanente acabou sendo utilizada para alterar as regras sucessórias da Mesa Diretora, o que gerou questionamentos entre parlamentares e ampliou a crise institucional na Assembleia.
Apesar da crítica ao rito adotado, a deputada fez questão de destacar que mantém respeito e admiração por Adjuto Afonso e afirmou acreditar que a maioria dos deputados concordava com sua chegada à presidência. Para ela, o problema esteve na forma, e não no nome escolhido para comandar o Legislativo.
Votação expõe divisão política
Os votos contrários vieram de cinco parlamentares das bancadas do PSD e do MDB: Alessandra Campêlo, Mayra Dias, Thiago Abrahim, Wilker Barreto e Rozenha. Embora insuficiente para alterar o resultado, o grupo buscou marcar posição diante da condução jurídica e política da sucessão na Mesa Diretora.
O episódio evidencia que, mesmo com consenso em torno do nome de Adjuto Afonso, persistem divergências sobre as decisões administrativas tomadas pela Assembleia durante o processo de transição do comando da Casa.
Entenda o caso
Adjuto Afonso foi eleito presidente da Aleam após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a regra interna que permitia a posse automática do primeiro vice-presidente em caso de vacância da presidência.
Com a determinação do STF, a Assembleia foi obrigada a realizar uma nova eleição para cumprir a decisão judicial. O pleito confirmou Adjuto Afonso no comando da Casa por 19 votos, mas também abriu espaço para que parlamentares da oposição e de parte da base governista questionassem a forma como alterações regimentais haviam sido promovidas anteriormente.
O discurso de Alessandra Campêlo reforçou esse posicionamento ao defender que mudanças nas regras de sucessão da Mesa Diretora devem ocorrer por meio de debates específicos e transparentes, evitando que temas administrativos sejam incorporados a resoluções com objetos distintos. Para a deputada, o episódio desgastou institucionalmente a Aleam em um momento em que o Parlamento buscava encerrar a disputa pelo comando da Casa e restabelecer a normalidade administrativa.
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