O levantamento também identificou oportunidades para o fortalecimento de atividades ligadas à bioeconomia (Foto: Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio do projeto Atlas ODS Amazônia e do Instituto Acariquara, identificou evidências de ocupação humana consolidada e da existência de atividades econômicas estruturadas há décadas em municípios do Médio Amazonas.
O levantamento analisou a região que compreende Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará e mapeou atividades produtivas, estruturas sociais, organizações comunitárias e características econômicas que demonstram a presença contínua de populações e o uso do território ao longo do tempo.
Os resultados mostram que a região abriga atividades econômicas historicamente estabelecidas, incluindo agricultura familiar, pesca, extrativismo, produção de farinha, manejo florestal, pecuária e cadeias ligadas à sociobiodiversidade amazônica. O estudo também registra a presença de associações comunitárias, cooperativas, organizações de produtores e outras estruturas sociais que ajudam a compreender a dinâmica de ocupação e do desenvolvimento dos municípios.
Segundo o coordenador do estudo, Danilo Egle Santos Barbosa, o levantamento permitiu ampliar a compreensão sobre a trajetória histórica da região a partir da combinação de dados oficiais, pesquisas de campo e escuta de moradores e lideranças locais. “O estudo mostra que esses municípios possuem uma longa trajetória de ocupação e organização econômica e social. Ao reunir dados históricos e relatos das comunidades, foi possível entender como essas atividades se desenvolveram ao longo do tempo e continuam presentes na dinâmica econômica da região”, afirma.
Além de recuperar elementos da formação histórica dos municípios, o mapa identificou potencialidades já consolidadas em diferentes cadeias produtivas. Entre os destaques estão a produção de guaraná orgânico certificado em Urucará, a cadeia do tucumã e o manejo florestal em Itapiranga, a produção de farinha e iniciativas ligadas à bioeconomia em Silves e o fortalecimento de atividades associadas ao turismo de base comunitária e à sociobiodiversidade em São Sebastião do Uatumã.
Potencialidades e desafios
O levantamento também identificou oportunidades para o fortalecimento de atividades ligadas à bioeconomia, ao turismo de base comunitária, à agricultura familiar e ao empreendedorismo local. As vocações econômicas observadas nos quatro municípios revelam potencial para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que a região ainda enfrenta desafios estruturais importantes. O estudo aponta gargalos relacionados ao saneamento básico, acesso ao crédito, logística e qualificação técnica, indicando a necessidade de políticas públicas e investimentos voltados para o fortalecimento das capacidades já existentes nos territórios.
Entre os exemplos identificados está Itapiranga, que apresenta taxa de escolarização de 98,45% entre crianças de 6 a 14 anos, mas ainda registra indicadores reduzidos de acesso a serviços de saneamento.
Integração regional
Outro resultado do estudo foi a identificação de características e vocações compartilhadas pelos quatro municípios, especialmente nas áreas de bioeconomia, turismo de base comunitária, agricultura familiar e organização comunitária.
A partir desse diagnóstico, os pesquisadores propõem a criação de um consórcio intermunicipal envolvendo Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará, com o objetivo de fortalecer iniciativas conjuntas nas áreas de educação, saúde, cultura, empreendedorismo e desenvolvimento econômico. “Os municípios possuem desafios semelhantes e ativos e oportunidades muito convergentes. A cooperação regional pode contribuir para potencializar resultados e acelerar processos de desenvolvimento”, afirma o coordenador do estudo.
Sobre o estudo
O Mapa de Potencialidades Territoriais foi desenvolvido por pesquisadores do projeto Atlas ODS Amazônia (UFAM) e do Instituto Acariquara. O estudoanalisou os municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará a partir do cruzamento de dados oficiais, levantamentos documentais e atividades de campo realizadas nos territórios.
Um dos diferenciais do trabalho foi a escuta ativa de comunidades, lideranças locais, produtores, representantes do poder público e organizações da sociedade civil, permitindo incorporar ao diagnóstico conhecimentos e experiências que nem sempre estão registrados nas bases estatísticas tradicionais. Ao longo do estudo, foram realizados encontros, grupos focais, questionários e visitas de campo para identificar dinâmicas econômicas, sociais e culturais percebidas pelos próprios moradores.
O estudo contou com apoio da Eneva e terá seus resultados consolidados em publicação prevista para os próximos meses.
(*) Com informações da assessoria
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