Renan Carlos, de 19 anos, morreu após dias internado no Hospital 28 de Agosto (Foto arquivo família)
Manaus (AM) – Renan Carlos, de 19 anos, entrou andando no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, em Manaus, com fortes dores na região do estômago. Dias depois, a família precisou retirar seu corpo sem vida e sem um diagnóstico preciso. Agora, a família denuncia, em entrevista exclusiva ao Portal AM1, supostas falhas no atendimento e cobra investigação sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.
O Portal AM1 esteve no velório de Renan, no conjunto habitacional Viver Melhor, zona Norte de Manaus, e conversou com familiares. A irmã da vítima, Aurora Oliveira, relatou que o jovem chegou ao hospital consciente, caminhando e conversando normalmente, tendo como principal queixa uma forte dor abdominal.
Segundo Aurora, durante a internação, a família teria recebido informações diferentes sobre o diagnóstico. Em momentos distintos, os profissionais teriam mencionado suspeitas de tuberculose, apendicite e pedra nos rins. A irmã afirma que, conforme os exames que estão em posse da família, nenhuma dessas hipóteses teria sido confirmada.
“Meu irmão entrou andando, meu irmão entrou normal, só com uma simples dor”, relatou Aurora à reportagem.
Família relata demora e falta de atendimento
A irmã também afirma que Renan teria permanecido em uma sala do hospital e que familiares precisavam insistir para conseguir atendimento. Segundo ela, o botão utilizado para chamar profissionais não funcionava adequadamente e, em determinadas situações, a família teria precisado sair do local para procurar enfermeiros e médicos.
Aurora relata ainda que, quando o pai de Renan chegou ao hospital e passou a cobrar atendimento, o jovem teria sido atendido com maior rapidez. De acordo com o relato, Renan havia chegado à unidade pela manhã, mas permaneceu por horas aguardando atendimento enquanto sentia fortes dores.
A família também afirma que, durante a internação, o estado de saúde do jovem piorou progressivamente. Segundo Aurora, ele teria ficado desorientado, perdido a capacidade de se alimentar adequadamente e apresentado alterações de consciência.
Suspeita de tuberculose é questionada pela família
Outro ponto levantado pelos familiares envolve uma suposta investigação para tuberculose. Aurora afirma que os médicos solicitaram um exame de escarro para confirmar ou descartar a doença. Segundo ela, Renan não conseguiu realizar o procedimento e, por isso, o exame não teria sido efetivamente feito.
A irmã afirma ter questionado uma profissional de saúde após encontrar, segundo seu relato, informação no prontuário indicando que o procedimento teria sido realizado. A família contesta essa informação e diz possuir documentos e exames que pretende apresentar durante a busca por esclarecimentos sobre o atendimento.
Família relata procedimento doloroso
Aurora também fez uma denúncia mais grave sobre um procedimento realizado durante a internação. Segundo ela, Renan precisou passar por uma drenagem e teria sido submetido ao procedimento em condições que, na avaliação da família, foram inadequadas. A irmã afirma que ele sentiu dores durante a intervenção e que teria sido contido pelos profissionais.
Jovem teria sido transferido e retornado ao 28 de Agosto
A família afirma que, após dias internado, Renan chegou a ser transferido para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado. Segundo Aurora, a transferência ocorreu durante a noite, após familiares serem informados de que o jovem estaria estável e precisaria ser acompanhado em outra unidade.
Ela afirma, porém, que Renan estava debilitado, não se alimentava adequadamente e apresentava um quadro de saúde considerado preocupante pela família. Depois da passagem pelo João Lúcio, o jovem teria retornado ao 28 de Agosto.
Foi na unidade, segundo os familiares, que Renan sofreu uma parada respiratória e morreu.
Pai também cobra respostas
O pai de Renan, Raimundo Neves, conversou com a reportagem, mas estava muito abalado durante o velório e não conseguiu dar uma entrevista detalhada. Segundo a família, ele acompanhou parte da internação e teria pedido ajuda aos profissionais diante da piora do filho.
Aurora afirma que, em uma das ocasiões, a mãe de Renan teria acionado o botão para chamar a equipe, mas ninguém teria aparecido imediatamente. Diante da situação, ela teria saído pelo corredor pedindo socorro. Ainda conforme o relato, um enfermeiro teria dito para a mãe se acalmar porque o filho estaria bem. A família, entretanto, afirma que Renan já apresentava sinais de agravamento.
Família busca medidas legais
Diante da morte, os familiares afirmam que pretendem procurar assistência jurídica para apurar o caso e avaliar medidas contra o hospital. A família sustenta que Renan poderia ter sobrevivido caso tivesse recebido atendimento adequado e mais rápido.
“Eu só quero justiça por ele”, disse Aurora durante a entrevista.
O caso levanta questionamentos sobre o atendimento prestado ao jovem desde a entrada no hospital até a transferência, o retorno à unidade e a morte.
Entre as perguntas apresentadas pela família estão: qual era o diagnóstico de Renan? Quais procedimentos foram realizados? Quais medicamentos foram administrados? Por que ele teria apresentado piora durante a internação? E houve alguma falha no atendimento?
Assista à reportagem completa:
O outro lado
O Portal AM1 procurou a direção do Hospital 28 de Agosto e os órgãos responsáveis pela saúde pública para que apresentem a versão oficial sobre o caso e esclareçam as circunstâncias da morte de Renan Carlos.
As acusações de negligência feitas pela família ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
Enquanto isso, familiares se despedem de um jovem de 19 anos que, segundo os próprios parentes, chegou ao hospital caminhando e consciente e agora é velado sob uma série de perguntas que a família espera serem respondidas.
Confira a reportagem completa:
(*) Colaborou Vitória Amanda, repórter do Portal AM1.
(**) Estagiário sob supervisão do jornalista e editor-chefe Isac Sharlon.
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