(Foto: Divulgação/MPAM)
Manaus (AM) – A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM), em parceria com a Polícia Federal (PF), identificou uma estrutura organizada para transportar drogas a partir do Amazonas para outros estados do país.
As apurações começaram com o monitoramento de pistas de pouso clandestinas no interior do Estado. Com o avanço da investigação, os agentes identificaram uma divisão de tarefas que envolvia o financiamento das operações, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção, abastecimento, armazenamento e distribuição de drogas, além da movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.
Segundo a investigação, a organização utilizava diferentes meios de transporte para movimentar os entorpecentes. As rotas combinavam aviões, embarcações e veículos terrestres, permitindo que as drogas fossem levadas do Amazonas para outras regiões do Brasil.
Pistas clandestinas no interior do Amazonas
A estrutura aérea investigada incluía aeronaves de pequeno porte, pilotos, locais clandestinos para pousos e decolagens e pontos remotos usados para armazenar combustível. Os investigadores também identificaram estruturas destinadas à manutenção e operação dos aviões.
Outro ponto levantado pela investigação foi a possível adulteração da identificação de uma aeronave. A suspeita é de que a alteração pudesse dificultar a fiscalização e esconder a utilização do avião pelo grupo.
Duas pistas clandestinas, localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo, foram apontadas como pontos de apoio à logística aérea. A Justiça autorizou a destruição dos locais, considerados estratégicos para a operação investigada.
Mais de R$ 35 milhões movimentados

(Foto: Divulgação/MPAM)
Além da logística de transporte, a investigação avançou sobre o dinheiro movimentado pelo grupo.
De acordo com o Gaeco/MPAM e a PF, pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados movimentaram mais de R$ 35 milhões em transações consideradas incompatíveis com as atividades econômicas declaradas.
Entre as práticas identificadas estão o uso de empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações por meio de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas interpostas.
Segundo os investigadores, parte dos recursos teria sido utilizada na compra de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.
Em Manaus, também foram identificados investimentos em centros comerciais e outros negócios que, conforme os elementos reunidos na investigação, poderiam ser utilizados para dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico.
Patrimônio é alvo da operação
A operação também buscou atingir o patrimônio associado ao grupo investigado.
A Justiça determinou o sequestro de 31 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões, além de dois centros comerciais. Também foi autorizado o bloqueio de cerca de R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
As medidas têm como objetivo interromper o fluxo de recursos da organização, impedir a incorporação de dinheiro ilícito ao patrimônio dos investigados e reduzir a capacidade financeira do grupo.
Operação também investiga ocorrências com aeronaves
O uso de aeronaves também aparece em episódios investigados pelas autoridades.
Entre os casos está uma interceptação aérea seguida de uma ação policial na região de Tefé. A investigação também apura o desaparecimento de uma aeronave durante um voo próximo à fronteira com a Venezuela, em circunstâncias compatíveis com um acidente aeronáutico.
Origem do nome ‘La Máquina’
O nome da operação foi inspirado em uma expressão utilizada nas comunicações interceptadas durante a investigação. “La Máquina” era o termo empregado para fazer referência às aeronaves usadas nos chamados “fretes” de drogas.
O termo passou a identificar a operação que mira uma estrutura formada por aeronaves, pilotos, pistas clandestinas, combustível e recursos financeiros destinados, segundo a investigação, ao transporte de entorpecentes.
Investigação continua
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual de cada um, por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer das apurações.
As medidas judiciais tiveram como objetivos interromper as atividades do grupo, preservar provas e atingir sua estrutura financeira e patrimonial.
Segundo o coordenador do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá do Valle, a atuação conjunta entre o MPAM e a Polícia Federal foi fundamental para o avanço das investigações e para a deflagração da operação.
A apuração segue com a análise do material apreendido. Essa etapa poderá levar à identificação de novos envolvidos, outras movimentações financeiras e eventuais crimes relacionados à organização investigada.
(*) Com informações da Assessoria
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