(Foto: Divulgação/ Instagram @WilsonLima)
Manaus (AM) – A compra de respiradores realizada pelo Governo do Amazonas durante a pandemia voltou ao debate eleitoral nesta terça-feira (18), após o ex-governador e candidato ao Senado, Wilson Lima (União Brasil), publicar um vídeo para contestar informações sobre a aquisição dos equipamentos.
Candidato ao Senado, Wilson afirmou que a associação da compra a uma loja de vinhos é uma “fake news” e disse que deveria ter se defendido publicamente quando o caso veio à tona, em 2020.
“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular lá em 2020”, declarou.
Segundo Wilson, os 28 respiradores foram adquiridos da FJAP e Cia. Ltda., empresa que atuava como importadora e tinha autorização para comercializar produtos médico-hospitalares. A companhia utilizava o nome fantasia Vineria Adega, além de atuar no comércio de bebidas.
O ex-governador afirmou que a compra ocorreu em um cenário de escassez de equipamentos hospitalares e que a empresa apresentava condições de entregar os respiradores em prazo menor.
“Se eu não tivesse comprado respiradores com rapidez, hoje eu poderia ser considerado pelo povo e pela Justiça como governador omisso”, afirmou.
Compra foi questionada
A aquisição ocorreu em abril de 2020 e envolveu 28 respiradores, ao custo total de R$ 2,97 milhões. O valor médio foi de aproximadamente R$ 106 mil por equipamento.
A operação foi questionada pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), que apontou indícios de sobrepreço. Na época, o órgão comparou o valor pago pelo Estado com equipamentos semelhantes adquiridos pelo Governo Federal por cerca de R$ 57 mil cada.
Também foram levantadas dúvidas sobre a utilização dos aparelhos. Relatórios citados pelo TCE-AM registraram questionamentos do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) e da Vigilância Sanitária de Manaus sobre a capacidade dos equipamentos para atender pacientes graves de Covid-19.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em setembro de 2021, a Corte Especial recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra Wilson Lima e outros envolvidos.
A denúncia envolve acusações de direcionamento e fraude em licitação, peculato, organização criminosa e tentativa de atrapalhar as investigações. O recebimento da denúncia não significa condenação, e Wilson nega as irregularidades.
Cientista político vê cálculo eleitoral
Para o cientista político Carlos Santiago, ouvido pelo Portal AM1, a retomada do caso por Wilson Lima ocorre em razão do impacto político que o episódio ainda exerce na campanha ao Senado.
Segundo Santiago, a divulgação do vídeo indica uma tentativa do ex-governador de responder às críticas dos adversários e apresentar diretamente ao eleitor sua versão sobre a compra.
“O fato de o ex-governador Wilson Lima gravar e divulgar um vídeo, dando a sua versão sobre o caso, envolvendo a sua gestão no período da pandemia da Covid-19, evento conhecido como compra de respiradores, demonstra que o uso político por parte dos seus adversários está causando um desgaste na campanha para o Senado Federal”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, Wilson busca convencer o eleitor de que a aquisição foi uma decisão tomada diante da urgência provocada pela pandemia.
A estratégia, porém, envolve riscos. Santiago avalia que a exposição do assunto também pode permitir que os adversários retomem as acusações e utilizem o episódio para ampliar o desgaste do candidato.
“Isso pode ter dois efeitos. O primeiro deles é convencer o eleitorado de que ele estava certo na sua decisão diante das mortes da Covid-19. O outro pode ser negativo, à medida em que os seus concorrentes podem aproveitar dessa versão do ex-governador para usar mais ainda o fato, para desgastar ainda mais a imagem de Wilson Lima”, explicou.
Delegado Pablo contesta Wilson
A declaração do ex-governador também provocou reação do delegado Pablo, candidato a deputado federal pelo PL. Em vídeo publicado em suas redes sociais, contestou Wilson e relacionou a gestão da pandemia à crise de oxigênio enfrentada pelo Amazonas em janeiro de 2021.
O delegado Pablo afirmou que, na época, era deputado federal e pediu intervenção federal diante da situação enfrentada no Estado.
“A crise do oxigênio aconteceu por culpa e incompetência do governo Wilson Lima. E eu tenho prova disso”, afirmou.
O candidato também citou a relação do governo estadual com a fornecedora White Martins e fez acusações sobre supostas dívidas do Estado com a empresa.
Delegado Pablo ainda acusou Wilson de tentar utilizar politicamente a pandemia para conquistar votos na atual eleição.
“Quem quer voto de novo é você, Wilson Lima. Quer enganar de novo a população do Amazonas. Mas ela não vai cair nesse golpe novamente”, declarou.
Pandemia volta ao debate eleitoral
O vídeo de Wilson recoloca episódios da pandemia no centro da disputa eleitoral no Amazonas. o candidato ao Senado tenta apresentar sua versão sobre uma compra que foi alvo de questionamentos de órgãos de controle e de investigação judicial, enquanto adversários voltam a explorar a atuação de sua gestão durante a crise sanitária.
Para Carlos Santiago, a decisão de Wilson de abordar o assunto agora demonstra que o episódio continua tendo peso na disputa pelo Senado.
O caso dos respiradores segue sendo citado no debate político e judicial. Embora tenha se tornado réu no STJ após o recebimento da denúncia em 2021, Wilson Lima não foi condenado pela compra dos equipamentos e nega as acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal.
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