(Foto: Hudson Fonseca/Aleam & Danilo Mello/Aleam)
Manaus (AM) – O deputado estadual Wilker Barreto (PSD) criticou o ex-governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), ao relembrar a atuação do governo durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que a população do Estado pagou com vidas pelo que classificou como irresponsabilidade da gestão. A declaração ocorreu durante discurso na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Wilker contestou um vídeo gravado pelo ex-governador em que, segundo o parlamentar, a compra de respiradores em lojas de vinhos é tratada como fake news. Ele afirmou que o episódio já foi amplamente discutido e que os fatos relacionados à aquisição foram apurados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da qual participou como membro titular.
“Os fatos são robustos. As materialidades, inclusive, que foram usadas para a aceitação junto ao STJ foram produzidas pela comissão parlamentar de inquérito. A comissão pediu mais de 50 indiciamentos”, declarou.
O vídeo citado por Wilker foi publicado pelo ex-governador Wilson Lima. Na gravação, Wilson contestou a associação da compra de respiradores a uma loja de vinhos, classificando a informação como “fake news”.
Segundo ele, os 28 equipamentos foram adquiridos da empresa FJAP e Cia. Ltda., que tinha autorização para comercializar produtos médico-hospitalares e utilizava o nome fantasia Vineria Adega. Wilson também afirmou que a compra ocorreu em meio à escassez de equipamentos hospitalares e que a empresa tinha condições de entregar os respiradores em prazo menor.
Segundo o deputado, a CPI também ouviu o empresário responsável pela venda dos equipamentos e reuniu documentos relacionados ao processo de dispensa de licitação. Wilker afirmou que os equipamentos adquiridos não eram respiradores, mas BiPAPs, e questionou a utilidade clínica deles para o tratamento da Covid-19.
“Porque lembrando, deputados, não foram respiradores, foram BiPAPs. Sequer eles teriam utilidade clínica para a Covid”, afirmou.
O parlamentar também disse que a intenção inicial seria adquirir 300 equipamentos, e não apenas 30, mas que a compra não avançou dessa forma. Ao comentar o vídeo do ex-governador, Wilker afirmou que aceitaria o desafio para discutir os fatos, desde que o debate ocorresse publicamente e ao vivo.
“Eu quero dizer, ex-governador, que o desafio está aceito. Mas tem que ser em praça pública, não em programas editados, não em textos produzidos. Tem que ser no ao vivo, para ser desmascarado publicamente”, disse.
Durante o discurso, o deputado estadual afirmou que a população do Amazonas ainda mantém na memória o sofrimento provocado pela pandemia. Para ele, quem perdeu familiares durante o período não esqueceu a atuação do governo.
“Quem perdeu o seu ente querido, não esquece da irresponsabilidade de um governo que não se preparou, que não enfrentou com responsabilidade, e que a sua inoperância custou e ceifou vidas de pessoas inocentes”, declarou.
O deputado também afirmou que, mesmo após o período mais crítico da Covid-19, unidades hospitalares ainda não teriam recebido usinas de oxigênio. Segundo ele, isso demonstraria falta de comprometimento com a vida.
Na parte final do discurso, o parlamentar voltou a mencionar a CPI e afirmou que os documentos e depoimentos reunidos durante os trabalhos fundamentaram um processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça. Ele pediu que a Justiça alcance os responsáveis pelos atos que classificou como atrocidades.
“Nós estávamos lá, nós botamos para depor, nós juntamos documentos, e o que ficou claro foi a frieza de um governo que, naquele momento em que o nosso povo estava morrendo, sofrendo, estava pensando em praticar corrupção, e isso fundamentou um processo que está no STJ”, afirmou.
Ao concluir, o parlamentar voltou a criticar o vídeo do ex-governador e disse que a população não teria esquecido o período de crise sanitária. “A verdade, ex-governador, é que o nosso povo pagou com vidas a irresponsabilidade do vosso governo”, declarou.
Wilker encerrou o pronunciamento afirmando que a passagem da Covid-19 pelo Amazonas entrou para a história como “a maior história de descaso que uma gestão poderia ter enfrentado naquele momento”.
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