Manaus, 10 de setembro de 2026
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Manaus, 10 de setembro de 2026

Cenário

Maria do Carmo enfrenta desgaste político após escândalos envolvendo apoiadores e o tráfico de drogas

Apoios de pessoas investigadas por tráfico e prisão de homem ampliam pressão sobre candidata ao Governo do Amazonas.

Maria do Carmo

A campanha de Maria do Carmo terá de explicar não apenas quem são seus aliados formais, mas também até onde vai a responsabilidade política sobre a rede de pessoas que aparece ao redor de sua candidatura (Foto: Reprodução/Redes Sociais e Arquivo/Pessoal)

Manaus (AM) — A campanha de Maria do Carmo Seffair (PL) enfrenta um desgaste político após uma sequência de episódios polêmicos envolvendo pessoas que declararam apoio à candidatura ou que mantinham algum tipo de relação com integrantes da campanha e acabaram presas ou investigadas por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas

O episódio mais grave ocorreu no início do mês de setembro, com a prisão de Rodrigo Soares, que se apresentava nas redes sociais como “coordenador” da campanha de Maria do Carmo.

Ele foi preso durante uma operação que apreendeu cerca de 2,5 toneladas de drogas. A candidata negou vínculo com o homem e disse que levaria o caso à justiça, por tentarem associar sua imagem a episódios envolvendo o tráfico de drogas.

Além desse, outros casos já haviam ganhado repercussão. Um homem apontado como foragido da Justiça apareceu em áudio orientando apoio à candidata, enquanto uma jovem acusada de envolvimento com tráfico também foi associada politicamente à campanha em Itamarati.

Os fatos não comprovam participação da candidata em qualquer esquema criminoso, mas criam um problema político para a campanha e colocam sob pressão a estratégia de alianças construída no interior do Amazonas.

Foragido aparece orientando apoio

Um dos episódios que alimentou a repercussão ocorreu em Itamarati. Segundo reportagem do site BNC Amazonas, publicada em 23 de abril de 2026, um homem apontado como foragido da Justiça e acusado de envolvimento com tráfico teria gravado um áudio orientando a manutenção do apoio a Maria do Carmo.

A declaração ganhou peso político porque o homem também teria mencionado pessoas que atuariam em favor da candidatura no município.

O episódio passou a ser explorado como questionamento sobre a rede de apoios formada pela candidata durante a campanha.

Jovem acusada de tráfico também aparece no radar

Maria do Carmo recebe apoio de jovem acusada por tráfico de drogas em Itamarati

Outro caso envolvendo Itamarati aumentou a pressão. Maria do Carmo recebeu apoio de uma jovem denúncia por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas no município.

A situação, novamente, não significa que a candidata tenha participado de qualquer atividade criminosa. O problema político está na exposição pública de apoios provenientes de pessoas que respondem ou são apontadas em investigações relacionadas ao tráfico.

Em 2024, o Partido Liberal (PL), que havia inscrito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Emilly Beatriz Souza da Cruz como candidata ao cargo de prefeita, cancelou a candidatura após descobrir que ela, naquela época, era considerada foragida da Justiça.

A decisão foi dada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Um documento de 21 de agosto daquele ano mostra a decisão de anular a convenção partidária, realizada no dia 5 de agosto. O evento anunciou Emilly Beatriz como candidata à prefeitura e Tony Cavalcante como candidato a vice-prefeito.

Homem ligado à campanha é preso com drogas

O episódio de maior impacto ocorreu com a prisão de Rodrigo Soares. Segundo as autoridades policiais, aproximadamente 2,5 toneladas de maconha do tipo skunk foram apreendidas no dia 3 de setembro deste ano.

Preso em operação que apreendeu 2,5 toneladas de drogas se apresentava como coordenador da campanha de Maria do Carmo - Radar Amazônico

Rodrigo Soares e a candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo, juntos em foto (Foto: Reprodução/Redes Sociais de Rodrigo Soares)

A droga estava escondida em um caminhão localizado dentro de um imóvel relacionado a Soares. Conforme a polícia, dois caminhões seriam utilizados para transportar a droga para outros estados.

A operação também ganhou repercussão no cenário eleitoral porque Soares se identificava, em seus perfis nas redes sociais, como coordenador da campanha de Maria do Carmo, candidata do PL ao Governo do Amazonas pela coligação “Mudar é Urgente”.

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Em seu perfil pessoal no Instagram, Rodrigo Soares se apresentava como coordenador da campanha da professora Maria do Carmo (Foto: Reprodução/Redes Sociais Rodrigo Soares)

No imóvel relacionado a ele também teriam sido encontrados materiais eleitorais da candidata.

O caso levou Maria do Carmo a reagir publicamente. A candidata negou qualquer envolvimento com os investigados e acionou o Ministério Público para pedir apuração sobre a situação.

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As mais de 2,5 toneladas de drogas apreendidas pela Polícia Civil do Amazonas durante investigação que resultou na prisão de Rodrigo Soares (Foto: Divulgação)

Maria do Carmo esteve em frente ao Ministério Público do Amazonas e afirmou confiar nas instituições responsáveis pela investigação. A candidata disse que não aceitará que seu nome seja associado ao caso e defendeu uma apuração independente sobre os fatos.

A candidata também afirmou confiar no Poder Judiciário e destacou sua atuação como operadora do direito. Segundo ela, não permitirá que questões eleitorais sejam utilizadas para associá-la a pessoas envolvidas com atividades criminosas.

Após negar ter relação com o homem apontado como coordenador de sua campanha, fotos e vídeos de Maria do Carmo ao lado da mulher de Rodrigo Soares, Ana Marcela Soares.  As imagens foram publicadas por Ana Marcela entre maio e agosto e mostram as duas juntas em selfies, eventos e atos de campanha.

Os registros contrastam com a negativa de Maria do Carmo sobre qualquer relação com RC Soares ou com a mulher dele.

Crise de imagem

O problema para a campanha deixou de ser apenas jurídico e passou a ser também político. Em uma eleição marcada pela disputa acirrada pelo eleitorado de direita, qualquer associação pública com pessoas investigadas por tráfico pode ser utilizada pelos adversários como munição eleitoral.

A sequência dos episódios — apoio atribuído a um foragido, aproximação com uma pessoa acusada de tráfico e a prisão de um homem que se apresentava como integrante da campanha — cria uma narrativa incômoda para Maria do Carmo, justamente no momento em que sua candidatura tenta se consolidar na disputa pelo Governo do Amazonas.

Até o momento, não há nos episódios apresentados evidência de que Maria do Carmo tenha participado ou tivesse conhecimento prévio das atividades criminosas atribuídas aos envolvidos.

Politicamente, porém, o estrago já está feito: a campanha terá de explicar não apenas quem são seus aliados formais, mas também até onde vai a responsabilidade política sobre a rede de pessoas que aparece ao redor de sua candidatura.

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