Manaus, 5 de outubro de 2026
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Cenário

Aposta de Salazar, Kidson fica fora da Aleam após campanha do ‘doido’

Candidato do PL teve 38.549 votos, mas terminou como suplente; Salazar apresentou aliado como “doido de coragem” durante a campanha.

Salazar apoiou Kidson Maia na disputa pela Aleam, mas o candidato terminou como suplente após receber 38.549 votos (Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – A aposta eleitoral do vereador Sargento Salazar (PL) para a Assembleia Legislativa do Amazonas não terminou como o grupo esperava. Kidson Maia (PL), apresentado por Salazar como seu candidato para a Aleam, recebeu 38.549 votos, mas ficou fora das 24 cadeiras e terminou como suplente.

O resultado coloca em xeque, pelo menos nas urnas, a estratégia de Salazar de impulsionar a candidatura do ex-policial militar. Durante a campanha, o vereador gravou vídeos para pedir votos ao aliado e usou a expressão “doido de coragem” para descrevê-lo.

“Um doido de coragem, que eu sei que vai fiscalizar os hospitais, as escolas e os quartéis da polícia”, afirmou Salazar na gravação publicada nas redes sociais.

Em outro trecho, Salazar disse que os dois seriam responsáveis por fiscalizar e “perturbar” dentro dos Legislativos, caso fossem eleitos.

38,5 mil votos não foram suficientes

Kidson terminou a apuração com 38.549 votos, equivalentes a 1,81% dos votos válidos, na 15ª colocação geral para deputado estadual. Mesmo com uma votação superior à de vários candidatos eleitos, o sistema proporcional e a composição da chapa do PL deixaram o candidato fora da Assembleia. O partido conquistou três cadeiras, ocupadas por Débora Menezes, Delegado Péricles e Cabo Maciel.

Kidson ficou, portanto, como o primeiro suplente do PL, atrás dos três eleitos da legenda. A diferença para a última vaga conquistada pelo partido mostra o tamanho do revés: Cabo Maciel terminou com 39.417 votos, apenas 868 votos acima de Kidson.

A campanha do “doido”

A estratégia de Salazar para apresentar Kidson chamou atenção ainda antes do início da campanha. Em agosto, o vereador publicou um vídeo nas redes sociais no qual aparece ao lado do candidato. Na gravação, chamou o aliado de “doido” e afirmou que queria colocá-lo na Assembleia para atuar na fiscalização de órgãos públicos.

A apresentação fazia referência ao passado de Kidson na Polícia Militar do Amazonas. Documentos analisados pela Justiça Eleitoral mostram que ele foi reformado por invalidez em 2012. O TRE-AM, contudo, deferiu o registro da candidatura e considerou preenchidos os requisitos de elegibilidade. A expressão usada por Salazar, portanto, partiu do próprio discurso de campanha e foi utilizada como elemento de identificação política entre os dois.

Salazar apoiou Kidson Maia na disputa pela Aleam, mas o candidato terminou como suplente após receber 38.549 votos (Foto: Divulgação)

Salazar foi eleito para Brasília

Enquanto Kidson ficou na suplência, Salazar teve destino diferente. Candidato a deputado federal pelo PL, ele foi o mais votado do Amazonas para a Câmara dos Deputados, com 212.948 votos, correspondentes a 10,05% dos votos válidos, e conquistou uma das oito cadeiras do Estado.

O resultado cria um contraste dentro da estratégia eleitoral construída pelo vereador: Salazar conseguiu chegar a Brasília, mas não levou seu principal aliado para a Aleam. A diferença entre os resultados também expõe a força individual de Salazar nas urnas. Enquanto o vereador ultrapassou a marca de 200 mil votos, Kidson ficou pouco abaixo dos 40 mil.

A aposta não virou cadeira

Kidson foi apresentado ao eleitorado como uma espécie de extensão do projeto político de Salazar na Assembleia. A ideia era ter os dois aliados em posições diferentes: Salazar na Câmara dos Deputados e Kidson na Aleam. A primeira parte foi concretizada; a segunda, não.

Kidson recebeu uma votação suficiente para terminar entre os 15 mais votados do Estado, mas não alcançou uma das três cadeiras do PL. Assim, a campanha marcada pelo discurso provocativo de Salazar e pela tentativa de transformar o apelido de “doido” em uma marca eleitoral terminou com Kidson na suplência. Agora, a eventual chegada de Kidson à Assembleia dependerá de futuras convocações ou mudanças na composição da bancada do PL. Por enquanto, a aposta de Salazar para a Aleam ficou do lado de fora da Assembleia  por 868 votos em relação ao terceiro eleito do partido.

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