Manaus, 21 de outubro de 2026
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Cidades

Tambaqui, tucumã e açaí podem ajudar na prevenção da obesidade, aponta nutricionista

Especialista do HUGV-Ufam orienta sobre alimentação saudável, redução de ultraprocessados e valorização de alimentos regionais.

Tambaqui, tucumã e açaí estão entre os alimentos amazônicos que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada e contribuir para a prevenção da obesidade (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – Alimentos tradicionais da região amazônica, como tambaqui, tucumã e açaí, podem fazer parte de uma alimentação equilibrada e contribuir para a prevenção da obesidade. A orientação é da nutricionista Luciana Santana, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), em Manaus.

Segundo a especialista, a prevenção da obesidade envolve não apenas a alimentação, mas também fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, sociais e ambientais. Entre os hábitos que podem favorecer o ganho excessivo de peso estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a falta de atividade física.

“O grande vilão hoje em dia é o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, aqueles cheios de açúcar, gordura e aditivos, somado ao sedentarismo”, explica a nutricionista.

A obesidade está relacionada ao aumento do risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), apneia do sono, problemas nas articulações e alguns tipos de câncer.

Alimentos regionais podem ser aliados

Para melhorar a qualidade da alimentação, a recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e diminuir o consumo de produtos industrializados.

A nutricionista sugere opções simples para o dia a dia. No café da manhã, por exemplo, tapioca com ovo, macaxeira e cará cozidos podem fazer parte da refeição.

Nos lanches, frutas da estação, castanha-da-Amazônia e iogurte natural com aveia são alternativas aos biscoitos recheados e salgadinhos. Para as bebidas, a orientação é dar preferência à água e reduzir refrigerantes, sucos industrializados e outras bebidas açucaradas.

A culinária amazônica também oferece alimentos que podem contribuir para uma dieta equilibrada. Peixes como tambaqui e tucunaré são fontes de proteínas e podem fornecer gorduras benéficas, dependendo da espécie e da forma de preparo.

O tucumã possui carotenoides precursores da vitamina A e gorduras, enquanto o açaí, principalmente quando consumido sem excesso de açúcar ou xaropes, fornece fibras e compostos antioxidantes.

“A nossa biodiversidade é um verdadeiro tesouro para a saúde”, destaca Luciana.

Prevenção começa desde a infância

A formação dos hábitos alimentares começa nos primeiros anos de vida. Por isso, a especialista recomenda oferecer alimentos variados às crianças, reduzir produtos ultraprocessados e estimular refeições em família.

Também é importante evitar que doces sejam utilizados como recompensa pelo consumo de outros alimentos.

“Dizer ‘se comer o legume, ganha sobremesa’ faz a criança achar que o legume é uma punição e o doce é o prêmio”, explica.

Outra recomendação é evitar celulares e televisão durante as refeições. Os pais também podem envolver as crianças na escolha dos alimentos e no preparo de receitas simples.

Levar os filhos à feira e apresentar frutas e outros alimentos típicos da região são algumas das estratégias indicadas pela nutricionista para estimular uma relação mais saudável com a alimentação.

Alimentação não é o único fator

Apesar da importância da dieta, a prevenção da obesidade também envolve outros aspectos, como qualidade do sono, estresse, atividade física, genética e condições de vida.

Dormir pouco pode interferir nos mecanismos relacionados à fome e à saciedade. Já o estresse pode influenciar o comportamento alimentar. A prática regular de exercícios físicos ajuda na manutenção da massa muscular e pode melhorar a sensibilidade à insulina, além de contribuir para a saúde física e mental.

A nutricionista ressalta ainda que o acompanhamento profissional não deve ocorrer somente quando há necessidade de emagrecimento. Alterações nos níveis de glicose e colesterol, dificuldades na relação com a alimentação e necessidades específicas de diferentes fases da vida também podem ser avaliadas por um profissional de saúde.

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