Manaus, 24 de outubro de 2026
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Manaus, 24 de outubro de 2026

Cidades

Manaus 357 anos: uma cidade que nasceu dos rios e cresceu com a Amazônia

Entre histórias, sabores, cultura e paisagens únicas, a capital amazonense celebra sua trajetória e revela as belezas que atravessam gerações.

Manaus completa 357 anos neste sábado (24), celebrando sua história, cultura, belezas naturais e a força de sua identidade amazônica (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – Manaus chega aos 357 anos neste sábado (24 de outubro). Mais do que uma data no calendário, o aniversário da capital amazonense é uma oportunidade para olhar para trás, conhecer as raízes de uma cidade que cresceu às margens do rio Negro e entender como ela se transformou em uma das principais cidades da Amazônia.

A história de Manaus começou muito antes dos grandes prédios, das avenidas movimentadas e da Zona Franca. O marco utilizado para contar o nascimento da cidade é 1669, quando os portugueses construíram o Forte de São José da Barra do Rio Negro, em uma área estratégica para garantir a presença da Coroa portuguesa na região. Ao redor da fortificação, um pequeno povoado começou a se formar.

Mas a história de Manaus não começa apenas com a chegada dos portugueses. Antes da ocupação colonial, diferentes povos indígenas já viviam na região, entre eles os Manáos, Barés e Tarumã. O próprio nome da cidade é uma homenagem aos Manáos, povo indígena que habitava a região e resistiu ao processo de colonização. Em 1856, a antiga Cidade da Barra do Rio Negro passou oficialmente a se chamar Manaus.

Do pequeno povoado à cidade

Durante sua trajetória, Manaus recebeu diferentes nomes. O povoado ligado ao forte ficou conhecido como Lugar da Barra. Em 1832, foi elevado à condição de vila e, em 24 de outubro de 1848, recebeu o título de cidade, passando a ser chamada de Cidade da Barra do Rio Negro.

O nome Manaus só viria alguns anos depois. Em 4 de setembro de 1856, a cidade recebeu oficialmente a denominação que permanece até hoje, em referência aos Manáos.

A transformação da pequena cidade ganhou velocidade principalmente a partir do final do século XIX, quando a economia da borracha colocou a Amazônia no centro do comércio internacional.

O dinheiro produzido pelo látex modificou a paisagem urbana. Manaus ganhou iluminação elétrica, bondes, serviços de telefonia, porto e grandes construções. Foi nesse período que surgiram alguns dos símbolos arquitetônicos que ainda hoje ajudam a contar a história da capital.

Entre eles está o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896 e transformado em um dos maiores cartões-postais da cidade.

O período de prosperidade, porém, não durou para sempre. A concorrência da produção de borracha asiática provocou a decadência do ciclo amazônico no início do século XX. Manaus enfrentou décadas difíceis até encontrar um novo caminho econômico com a implantação da Zona Franca de Manaus, a partir do final dos anos 1960 e início dos anos 1970.

Uma cidade que cresceu olhando para os rios

Hoje, Manaus é uma metrópole amazônica com mais de dois milhões de habitantes e continua profundamente ligada à água.

Os rios fazem parte da identidade da cidade. O rio Negro, que acompanha Manaus, não é apenas uma paisagem: é caminho, fonte de renda, espaço de lazer e ligação entre comunidades e municípios.

E talvez nenhum fenômeno represente tão bem essa relação quanto o Encontro das Águas, onde as águas escuras do rio Negro encontram as águas barrentas do Solimões e seguem lado a lado por vários quilômetros antes de se misturarem.

O espetáculo natural é um dos principais símbolos turísticos de Manaus e da própria Amazônia.

Uma cidade de histórias para conhecer

Quem percorre Manaus encontra diferentes capítulos da história espalhados pela cidade. No Centro Histórico, o Teatro Amazonas divide espaço com construções que remetem ao período da borracha. A Praça São Sebastião, o Palácio da Justiça e outros prédios históricos ajudam a preservar a memória de uma época em que a capital amazonense experimentava uma transformação urbana sem precedentes.

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa também ocupa um lugar especial nessa memória. Inspirado em estruturas europeias e adaptado à realidade amazônica, o mercado reúne sabores, cheiros, produtos regionais e a movimentação característica de uma cidade que vive entre a floresta e os rios.

Há ainda opções para quem procura lazer e contato com a natureza. A Ponta Negra, às margens do rio Negro, é um dos espaços mais conhecidos para caminhar, contemplar o pôr do sol e aproveitar a paisagem. O Bosque da Ciência, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), oferece outra experiência de aproximação com a biodiversidade amazônica. O Museu do Seringal Vila Paraíso também permite conhecer um pouco mais da história dos seringais e do ciclo da borracha.

Manaus também se revela pela gastronomia. Tacacá, tucupi, jambu, farinha, frutas amazônicas e os diferentes peixes encontrados nos rios da região fazem parte de uma culinária que carrega a identidade dos povos que ajudaram a construir a cidade.

Uma cidade diante de um novo desafio

Se a história de Manaus é marcada por períodos de transformação, o presente apresenta um dos maiores desafios ambientais já enfrentados pela população.

Em 2026, a fumaça provocada por incêndios e queimadas voltou a tomar conta da capital em diferentes momentos, afetando a qualidade do ar e alterando a rotina de milhares de pessoas. A situação ganhou ainda mais força durante o período de estiagem, quando as condições de calor e baixa umidade favorecem a propagação do fogo.

O problema não está restrito a Manaus. Os focos de incêndio estão espalhados pelo interior do Amazonas e também atingem áreas de outros estados da região. A fumaça é transportada pelo vento e pode chegar à capital, transformando o céu azul característico da cidade em uma paisagem acinzentada.

Em outubro, a concentração de fumaça chegou a provocar a suspensão de aulas e de atividades ao ar livre em Manaus. Medições também registraram níveis muito elevados de partículas finas no ar.

Diante desse cenário, o combate aos incêndios passou a envolver uma grande mobilização. Brigadistas, agentes ambientais, Defesa Civil, forças de segurança, militares e equipes dos governos municipal, estadual e federal atuam em diferentes frentes para combater as chamas, fiscalizar áreas atingidas e investigar possíveis queimadas criminosas.

Em outubro, o governo federal ampliou a estrutura de combate no Amazonas, com novas aeronaves, brigadistas e apoio das Forças Armadas, além da atuação de órgãos como Ibama, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

O esforço mostra que o desafio ultrapassa os limites de uma cidade ou de um governo. Quando a floresta queima, os efeitos chegam aos rios, ao ar, à fauna, à economia e à vida de quem vive nas cidades e nas comunidades.

Entre o passado e o futuro

É justamente nesse contraste que Manaus chega aos seus 357 anos. A cidade que nasceu em torno de um forte, cresceu durante o ciclo da borracha, enfrentou períodos de abandono, voltou a se desenvolver com a Zona Franca e se tornou uma metrópole amazônica agora precisa encarar um novo capítulo de sua história: conciliar crescimento, qualidade de vida e preservação ambiental.

Manaus é uma cidade de contrastes. É metrópole e floresta. É concreto e rio. É tradição e modernidade. É o movimento intenso das avenidas e a tranquilidade de uma comunidade ribeirinha. É o Teatro Amazonas e o som dos barcos no porto. É o tacacá servido na esquina e o pôr do sol visto às margens do rio Negro.

E talvez seja justamente essa mistura que explique por que Manaus não pode ser contada por uma única história.

A cidade dos 357 anos é resultado de muitos povos, muitas culturas, diferentes períodos econômicos e incontáveis histórias de quem nasceu aqui, chegou de outras partes do Brasil ou escolheu a capital amazonense para construir a própria vida.

Neste sábado, enquanto Manaus celebra mais um aniversário, seus moradores também celebram aquilo que permanece depois de tantos séculos: a identidade de uma cidade que aprendeu a crescer cercada pela maior floresta tropical do planeta e que continua escrevendo sua história todos os dias. Manaus completa 357 anos. E a história, como os rios que a cercam, continua seguindo seu curso.

Uma celebração diferente aos 357 anos

O aniversário de Manaus, que tradicionalmente reúne moradores e visitantes em uma programação marcada por música, cultura e manifestações da identidade amazonense, terá um tom diferente em 2026.

Diante da persistência da fumaça e dos índices preocupantes de poluição atmosférica, o prefeito Renato Junior anunciou nesta quarta-feira (21) o cancelamento da programação oficial dos 357 anos da capital. A medida inclui o Boi Manaus, o Show de Aniversário, o Boizinho Manaus e o Aniversário Gospel.

A decisão foi tomada após recomendações da Defesa Civil Municipal e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), com o objetivo de reduzir a exposição da população à fumaça e aos poluentes que vêm atingindo a cidade.

A programação previa atividades entre os dias 21 e 24 de outubro. O Boi Manaus estava marcado para os dias 21 e 22, enquanto o Show de Aniversário aconteceria no dia 23. Para o próprio dia 24, data oficial do aniversário da cidade, estavam previstos o Boizinho Manaus e o Aniversário Gospel.

A suspensão modifica uma tradição que faz parte do calendário cultural da capital, mas também revela um momento particular da história de Manaus. Em um aniversário que poderia ser marcado por grandes palcos e milhares de pessoas reunidas para celebrar, a cidade chega aos 357 anos enfrentando um problema que ultrapassa a programação festiva: a necessidade de proteger a saúde diante dos efeitos da fumaça das queimadas.

A festa pode esperar. A cidade, no entanto, continua celebrando sua história — nas ruas, nos rios, na cultura, na memória de seus moradores e na paisagem que faz de Manaus uma cidade única no coração da Amazônia.

E talvez esse seja um dos retratos mais simbólicos deste aniversário: uma capital que, depois de 357 anos de transformações, continua aprendendo a lidar com os desafios de cada novo tempo.

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