Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Ex-jogador mata e esquarteja irmã para ficar com herança, diz PC

O crime aconteceu no Rio de Janeiro. Suspeito e vítima moravam na mesma casa deixada como herança pela mãe. Ele é considerado foragido da justiça.

(Foto: Reprodução) Segundo investigação, ex-jogador matou a irmã com mais de 30 facadas

Um ex-jogador de futebol identificado como Luis Antônio de Medeiros Senna, de 45 anos, é suspeito de ter assassinado a própria irmã. De acordo com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, ele teria assassinado Samura Sento Sé Braz, de 34 anos, a facadas, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro,  por causa de uma disputa pela herança deixada pela mãe dos dois.

Após esfaquear 30 vezes a irmã, Luis Antônio esquartejou a vítima e tentou esconder o corpo. As informações são do relatório da investigação da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) obtido exclusivamente pelo jornal EXTRA, situado naquele município. 

(Foto: Reprodução) Segundo investigação, ex-jogador matou a irmã com mais de 30 facadas

O ex-jogador teve passagens por equipes pequenas do Rio nos anos 1990 como Bangu e Portuguesa. A prisão temporária dele foi decretada pelo Plantão Judiciário nesta terça-feira, 26.

A titular da DDPA, Elen Souto, pediu a prisão de Luis Antônio quando descobriu que o ex-jogador fez um empréstimo de R$ 11mil para fugir do Rio de Janeiro. O acusado é considerado foragido. 

Histórico familiar de briga constantes 

Segundo a investigação, Luis e Samura eram filhos adotivos de Antônia Sento Sé Senna que mroreu em agosto de 2014. De herança, a mãe distribuiu os imóveis que possuía entre os filhos. De acordo com depoimento de diversos amigos e parentes, a casa onde a mulher morava com Luis e Samura, no bairro Jardim Carioca, na Ilha do Governador, deveria ficar para a filha. Entretanto, Luis não se conformava com a divisão dos bens e queria o imóvel. 

Uma amiga de Samura contou na delegacia, em depoimento, que os irmãos brigavam com frequência e “as brigas se davam por divergência acerca da herança deixada pela genitora de ambos através de um testamento”. Na declaração dada a investigação,  a amiga da vítima ainda fala que o imóvel onde os irmãos residiam foi colocado no nome de Samura e que o ex-jogador se recusava a deixar o imóvel alegando que ele também tinha direito. Outros depoimentos também confirmam esta versão. 

Desaparecimento

Samura não foi mais vista desde a noite do último dia 13. O desaparecimento só foi registrado na delegacia uma semana depois por amigos dela. Mesmo morando com a irmã, Luis não procurou a polícia para informar sobre o desaparecimento.

O cadáver de Samura foi encontrado nos dias 16 e 17 na Praia da Rosa. No primeiro dia, foi achado somente o tronco. No dia seguinte, os membros e a cabeça. Segundo o laudo de necrópsia, a vítima foi atingida por 30 facadas.

O ex-jogador foi ouvido na sede da especializada. O que chamou a atenção dos investigadores da DDPA foram seis cortes na sua mão esquerda que, segundo ele mesmo, foram feitos no mesmo dia do desaparecimento de sua irmã. Luis deu, em depoimento, duas versões diferentes para os cortes na mão: disse inicialmente que havia se machucado durante uma pelada que havia jogado na favela de Manguinhos; depois, afirmou que foi a um jogo do Flamengo no Maracanã e se envolveu numa briga de torcida. Ele foi submetido a exame de corpo de delito. Segundo o relatório da investigação, as lesões que sofreu não são compatíveis com os fatos descritos pelo ex-jogador.

Luis também afirmou não ter visto Samura na noite do desaparecimento e disse acreditar que “ela tenha viajado e não deu notícias não atendendo ao telefonema de ninguém”. Quando foi perguntado pelos investigadores sobre o motivo de ter demorado oito dias para tomar providências para localizar sua irmã, ele disse que “entendeu (o desaparecimento) como algo normal já que ela saía e não dava satisfação”.

Mulher de ex-jogador desmentiu-o

A mulher de Luis, que mora na mesma casa que o ex-jogador e Samura, desmentiu o depoimento do marido em vários pontos. Ela afirmou que, no dia do desaparecimento, o ex-jogador foi levar ela e o filho a uma festa de aniversário de noite. Depois, ele teria voltado para casa. Disse que não era comum Luis ir ao Maracanã em dia de jogo do Flamengo e afirmou que não passou o sábado seguinte ao crime, dia em que o corpo foi encontrado, com o marido. O suspeito havia informado aos investigadores que passou o fim de semana com a mulher e com o filho.

A mulher também admitiu que o ex-jogador e Samura discutiam recorrentemente por conta da herança. Ela ainda afirmou que “chegou a cogitar se separar do marido por conta dos atritos entre Luis e Samura por estarem morando na casa que era dela, por direito, deixado pela mãe adotiva”.

(Foto: Polícia Civil Rio de Janeiro) Samura era dada como desaparecida até acharem partes de seu corpo

Crime

O relatório da investigação, remetido à Justiça, conclui que Luis matou Samura após deixar a mulher e o filho na festa de aniversário. Segundo o documento, a vítima ainda tentou se defender usando uma faca — o que justificaria as feridas na mão de Luis. Após o crime, o ex-jogador “provavelmente se valeu de seu veículo para o transporte dos despojos de Samura, razão pela qual desde sexta o carro não tem mais sido visto na casa do autor”.

O carro, um Vectra preto, segue desaparecido. À esposa, o ex-jogador afirmou que o carro havia sido apreendido numa blitz. No entanto, após buscas feitas pela delegacia, a polícia concluiu que o carro não foi alvo de nenhuma abordagem.

No último dia 23, agentes da DDPA foram à casa de Luis para intimá-lo a prestar novo depoimento. Na ocasião, o ex-jogador fugiu pelos fundos do imóvel e não compareceu à delegacia. Nesta quarta-feira, agentes da DDPA farão buscas no imóvel onde Samura e Luis moravam.

*Com informações do Jornal Extra