Focadas em desmantelar as barreiras da desigualdade. Nosso trabalho diário é para que nenhuma mulher tenha seus direitos negados, afirma Cileide Moussallem.(Foto: Divulgação /Instagram @ViradaFemininaam)
Manaus (AM) – A defesa dos direitos das mulheres no Amazonas tem ganhado novos contornos com a atuação da Virada Feminina do Amazonas, movimento social que, há mais de uma década, trabalha no acolhimento, orientação e fortalecimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.
À frente da iniciativa está a comunicadora Cileide Moussallem, que lidera o movimento e coordena ações voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
Criada com o objetivo de apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade social, a Virada Feminina do Amazonas atua no enfrentamento à violência doméstica, sexual e psicológica, oferecendo suporte jurídico, psicológico e social. O movimento também trabalha na conscientização da sociedade e na articulação com instituições públicas e organizações parceiras.
Segundo Cileide Moussallem, o trabalho é desenvolvido de forma contínua e muitas vezes silenciosa, principalmente quando envolve casos sensíveis.
“O trabalho da Virada é institucional e voltado para mulheres em vulnerabilidade social, mulheres que sofrem violência doméstica e violência sexual. Muitas vezes precisamos agir com discrição para proteger essas mulheres”, explica Cileide.

A empresária e presidente da Virada Feminina Amazonas, Cileide Moussallem afirma que seu compromisso é inabalável com a justiça, a equidade e o respeito aos direitos das mulheres. (Foto: Divulgação /Instagram @ViradaFemininaam)
Apoio também em casos de tráfico e exploração
Entre as ações realizadas pelo movimento está o apoio a mulheres que foram enganadas por intermediários, conhecidos como “coiotes”, com falsas promessas de trabalho e melhores condições de vida no exterior. Em alguns casos, essas mulheres chegam a ter os passaportes confiscados e acabam em situações de exploração.
Para lidar com esses tipos de casos, a Virada Feminina consolidou parcerias com órgãos federais como a Polícia Federal do Brasil e a Receita Federal do Brasil, auxiliando no processo de repatriação dessas brasileiras.
De acordo com Cileide, esse é um trabalho que precisa ser feito com cuidado para preservar a identidade das vítimas.
“É um trabalho silencioso, porque não podemos expor essas mulheres. Muitas foram enganadas com promessas de uma vida melhor na Europa, mas acabam vivendo situações extremamente difíceis”, afirma.
Desafios no interior do Amazonas
Grande parte das ações do movimento também ocorre no interior do estado, onde a rede de proteção às mulheres ainda é limitada. Municípios pequenos, muitas vezes distantes da capital, enfrentam escassez de profissionais e estrutura para atender casos de violência.

O último evento da virada feminina alcançou mais de 1.100 participantes e demonstrou que o trabalho na defesa dos direitos das mulheres é um legado de coragem e um chamado à ação para todos. (Foto: Divulgação /Instagram @ViradaFemininaam)
Em algumas localidades, segundo relatos do movimento, há apenas poucos agentes de segurança para atender toda a população, o que dificulta o acompanhamento de denúncias e a aplicação de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Além das mulheres da zona urbana, o projeto também presta apoio a mulheres indígenas e ribeirinhas que enfrentam situações de violência e vulnerabilidade social.
Dificuldades e independência
Apesar dos avanços, o movimento ainda enfrenta desafios, principalmente na articulação com o poder público. Cileide explica que, por ser uma iniciativa independente e sem vínculo partidário, nem sempre o projeto recebe o apoio institucional necessário.
“A maior dificuldade é trazer o poder público para dentro do que fazemos. Muitas vezes ajudamos delegacias, auxiliamos órgãos federais, mas nem sempre isso é reconhecido”, destaca.
Nosso trabalho é potencializado pela união. Defendemos os direitos das mulheres sabendo que juntas somos a revolução que o mundo precisa. (Foto: Divulgação /Instagram @ViradaFemininaam)
Mesmo assim, o trabalho continua crescendo. O movimento também realiza campanhas de conscientização em aeroportos, com apoio da Polícia Federal e da Receita Federal, alertando mulheres sobre os riscos de propostas enganosas de trabalho no exterior.
Rede de apoio que continua crescendo
O ano de 2025 marcou um momento de maior visibilidade para o movimento no Amazonas. A organização ampliou mobilizações, encontros e campanhas voltadas à conscientização da sociedade sobre a violência contra a mulher e a importância da denúncia.
Hoje, a Virada Feminina do Amazonas se consolidou como uma das principais iniciativas da sociedade civil voltadas à defesa das mulheres no estado. A organização reúne voluntárias, profissionais e lideranças comunitárias que atuam em diferentes frentes de apoio e conscientização.
Além das atividades no Amazonas, a Virada Feminina também promove eventos e campanhas em outras regiões do país. Nos próximos meses, estão previstas ações em cidades do Pará, como Belém e Marabá, ampliando o alcance das iniciativas de conscientização e apoio.
Para Cileide Moussallem, o trabalho continua sendo uma missão.

Para Cileide Moussallen o orgulho de liderar e participar da defesa dos direitos das mulheres exige persistência, mas cada conquista vale a jornada. (Foto: Divulgação /Instagram @ViradaFemininaam)
“A luta em defesa das mulheres precisa ser permanente. Cada mulher que encontra apoio e consegue romper um ciclo de violência já mostra que vale a pena continuar”, destaca.
Ao longo dos anos, o movimento tem mostrado que ações da sociedade civil podem desempenhar um papel fundamental na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento da violência de gênero.






