Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Adultização infantil: especialista alerta sobre riscos e destaca papel da família e da escola

Especialista reforça a importância do papel da família e da escola na proteção da infância.

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(Foto: Gabriel Alves/Portal AM1)

Manaus (AM) – O tema da ‘adultização infantil’ voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a denúncia feita pelo influenciador Felca sobre a exposição precoce de crianças. Para aprofundar a discussão, o AM1 Entrevista conversou com a doutora Kátia Taumaturgo, neuropsicopedagoga e professora, que explicou os impactos desse fenômeno no desenvolvimento das crianças e a importância de prevenção por parte de pais, responsáveis e escolas.

Segundo a especialista, a adultização ocorre quando há um “aceleramento do processo de desenvolvimento da criança”, sem respeito às etapas naturais da infância. Na qual pode comprometer o lado social, emocional e cognitivo.

“A adultização, na verdade, é um aceleramento do desenvolvimento da criança. Ou seja, ocorre quando se impede que ela passe de forma natural pelas etapas próprias da infância. Esse processo é extremamente prejudicial, pois compromete aspectos sociais, emocionais e cognitivos”, afirma.

Conforme a especialista, é possível identificar a adultização no dia a dia. Entre elas, ela destaca que, por meio das redes sociais, por exemplo, é comum ver crianças realizando dancinhas, usando roupas inadequadas para a idade ou fazendo gestos que não correspondem ao seu estágio de desenvolvimento. A linguagem verbal e corporal também pode indicar que a criança não está vivenciando a infância de forma natural.

“Essas crianças deixam de brincar, de se divertir e de explorar o imaginário, etapas essenciais para o desenvolvimento. Muitas vezes, esse processo compromete o comportamento e pode levar a problemas que exigem acompanhamento psicológico no futuro”, alerta Taumaturgo.

A doutora reforçou que os pais precisam assumir a responsabilidade de monitorar e limitar o tempo das crianças nas telas.

“Atualmente, muitos pais deixam de supervisionar o uso das redes sociais e da internet, não estabelecem limites nem acompanham a atividade online das crianças. Isso as deixa totalmente expostas a riscos, inclusive a predadores sexuais, um dos problemas graves ligados à adultização infantil”, alerta a especialista.

Segundo a especialista, quando uma criança é tratada como um mini adulto, ela deixa de vivenciar a infância de forma plena.

“No futuro, isso pode gerar adultos frustrados e infantilizados, que tentam muitas vezes viver uma infância tardia. Em atendimentos clínicos, observamos que essas pessoas frequentemente não se sentem realizadas ou felizes, carregando um vazio significativo em suas vidas”, explica.

Para combater a adultização infantil, a especialista reforça a importância de permitir que as crianças vivam suas etapas de desenvolvimento naturalmente.

“Vamos deixar as crianças serem crianças. É fundamental acompanhar e apoiar o desenvolvimento delas, usando uma comunicação que construa pontes e não barreiras. É possível disciplinar e impor limites de forma positiva, sem gritar ou castigar, mostrando a importância de viver cada etapa da infância”, ressalta.

Sobre a lei que proíbe o uso de celulares nas escolas, ela considera a medida positiva:

“Havia grande distração em sala de aula, com crianças usando o celular nos momentos errados, e os professores perdiam tempo tentando controlar isso. O celular é um grande distrator e prejudica o aprendizado. Por isso, apoio totalmente a lei, que contribui para o processo educacional e para o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes”, finaliza.

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