Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Alberto Neto diz que oposição ‘está cansada de denunciar vínculo de Lula com ditadores’

Deputado comentou sobre os desentendimentos entre Lula e Maduro; além de tentar responsabilizar o presidente do Brasil por falas do venezuelano.

Alberto Neto (Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) disse ao Portal AM1 nesta quinta-feira (25) que a oposição “está cansada de denunciar os vínculos do presidente Lula (PT) com ditadores”. Ele se referiu aos últimos acontecimentos envolvendo Brasil e Venezuela, que mantinham, até então, certa aproximação. Apesar da aparente afinidade entre os presidentes Lula e Nicolás Maduro, Lula sempre foi cobrado por evitar críticas ao governante venezuelano.

Entretanto, o presidente brasileiro se disse assustado com falas recentes de Maduro, que disputa sua terceira reeleição de 6 anos.

“Nós, da oposição, já cansamos de denunciar o vínculo de Lula com ditadores. Não adianta, agora, o governo tentar enganar a população com essas últimas declarações”, disse.

O parlamentar responsabilizou Lula por ameaças do presidente venezuelano. Na semana passada, Maduro chegou a dizer, durante um ato de campanha, que a Venezuela pode viver uma “guerra civil” e sofrer um “banho de sangue” se a oposição vencer.

“Ao apoiar Maduro, Lula defendeu uma ditadura sanguinária e, agora, enfrenta as consequências desse apoio. O que acontecer com a Venezuela, como as ameaças já feitas pelo atual ditador, terá também a responsabilidade do presidente brasileiro, que terá de lidar com isso”, comentou Alberto Neto.

Segundo o deputado federal, Lula e Maduro são amigos há anos. Ele denunciou as últimas medidas impostas no país vizinho por Nicolás Maduro.

“O que precisamos deixar claro é que Maduro é amigo de Lula há anos. Foi Lula quem o recebeu no Brasil com tapete vermelho estendido e honrarias. Foi o ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, que disse que a eleição na Venezuela é “ocasião de demonstrar que a democracia está consolidada e que não há razão para sanções”, criticou o parlamentar.

Relação

Após a declaração de Lula, que demonstrou preocupação com as eleições venezuelanas, Maduro ironizou e teceu críticas ao sistema eleitoral brasileiro, o que levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspender, nesta quarta-feira (24), o envio de técnicos brasileiros para acompanhar a eleição presidencial da Venezuela, marcada para o próximo fim de semana.

Para o cientista político Alexandre Bandeira, a suspensão do envio de observadores para acompanhar as eleições de domingo na Venezuela é um sinal de que as relações entre Brasil e Venezuela passam por um momento muito delicado, após as declarações do presidente Nicolás Maduro sobre o sistema eleitoral brasileiro que elegeu Lula presidente.

Bandeira acredita que o discurso do venezuelano vai ao encontro dos principais opositores de Lula no Brasil, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o próprio Alberto Neto.

“Um discurso bastante proferido pelos apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, que, agora, está na boca do esquerdista que preside a Venezuela, parceiro de muitos momentos dos governos de Lula e Dilma”, destacou.

Para o especialista, a ação de Maduro é uma clara tentativa de jogar uma cortina de fumaça sobre as dificuldades impostas por seu governo, a imparcialidade do pleito eleitoral que acontece nesse final de semana na Venezuela, utilizando não só o Brasil, mas também a vizinha Colômbia e os EUA.

“Para o governo brasileiro, Maduro é como aquele parente que não pode deixar de ser convidado, mas que, nos eventos de família, todos ficam tensos para os problemas que ele pode trazer. Neste caso, a família é a América Latina. A questão é que a lisura do processo democrático no Brasil não é ponto negociável, nem para o Palácio do Planalto, nem para a Justiça Eleitoral brasileira”, esclareceu Alexandre Bandeira.

O cientista político alegou, ainda, que o “problema” é que, ao não enviar observadores para acompanhar as eleições na Venezuela, o Brasil permite ao governo de Nicolás Maduro atuar para que o processo não seja ‘isento, verdadeiro e legítimo’.

 

(*) Colaborou Larissa Lousrhania

 

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