Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Aliados de Wilson Lima participam de culto na mesma igreja que David Almeida

De acordo com especialistas o movimento levanta questionamentos sobre ética e coerência política em ano de eleições.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – Em ano eleitoral, os espaços religiosos voltam a ocupar papel central nas estratégias políticas. Em Manaus, uma situação recente chamou a atenção: parlamentares da oposição ao prefeito David Almeida, do União Brasil, Allan Campelo, Aldenor Lima e Joana Darc, foram vistos participando do culto de ação de graças pela vida do prefeito de Manaus, gerando questionamentos sobre a relação entre fé e política.

Para o cientista político Luiz Marques, especialista em comportamento eleitoral, o episódio reflete uma lógica antiga da política brasileira.

“Grupos homogêneos, especialmente evangélicos, são vistos como verdadeiras ‘galinhas dos ovos de ouro’ durante eleições. Políticos de diferentes matizes disputam o prestígio religioso para conquistar votos, muitas vezes sem se preocupar com coerência ideológica”, afirma Luiz Marques em entrevista exclusiva ao Portal AM1.

O cientista ressalta que a presença de opositores no mesmo templo não significa necessariamente alinhamento político. “O que vemos é um território que transcende a política partidária. A igreja oferece acesso direto a eleitores organizados e mobilizados, tornando-se um ponto estratégico, mesmo para adversários do poder vigente”, analisa.

Historicamente, o prefeito de Manaus tem se mostrado atento a esse cenário. Desde sua atuação como deputado estadual, ele buscou se aproximar de líderes religiosos, consolidando uma base fiel entre os evangélicos. “Essa fórmula é eficiente, mas arriscada. Ela transforma fiéis em militantes, mas também coloca a religião em um terreno político que pode comprometer sua credibilidade”, explica Luiz Marques.

O especialista aponta que, quando a política invade a esfera religiosa, surgem dilemas éticos e institucionais. “A teologia da prosperidade e o projeto político às vezes caminham lado a lado, criando uma situação em que o interesse terreno, como poder e votos, sobrepõe-se à espiritualidade. O risco é que a igreja perca a distinção entre reino celestial e terreno, confundindo missão religiosa com estratégia eleitoral.”

O episódio envolvendo Allan Campelo, Aldenor Lima e Joana Darc não é isolado, segundo Luiz Marques.

“É cada vez mais comum que políticos, independentemente de partido, participem de cultos e cerimônias religiosas. Isso não significa necessariamente apoio mútuo, mas mostra como o poder e a fé se entrelaçam em anos eleitorais”, conclui.

Ano eleitoral amplia leituras e especulações

Para o cientista político Helso Ribeiro, ouvido pelo Portal AM1, o momento exige cautela antes de qualquer conclusão definitiva. Segundo ele, o calendário eleitoral transforma qualquer movimento em sinal político.

“Até o final de março, começo de abril, especialmente até o dia 4, que é o prazo de desincompatibilização, existirão múltiplas especulações. Esses três nomes fazem parte da base de apoio do governador Wilson Lima, mas a presença deles em um culto pode significar muitas coisas. Pode ser apenas um convite religioso, pode ser uma investida política ou até mesmo algo já alinhado entre prefeito e governador”, avalia.

O especialista lembra que, em ano eleitoral, convites para eventos religiosos raramente são recusados.

“Nenhum político recusa convite de igreja em ano eleitoral. Ainda mais enquanto prefeito e governador seguem em silêncio sobre seus projetos para outubro. A tendência é que o governador dispute o Senado ou a Câmara Federal, enquanto o prefeito seja cogitado para o Governo do Estado, mas, até lá, tudo é especulação”, pondera.

Enquanto a cidade se aproxima de um pleito decisivo, Manaus observa de perto como a fé e a política continuarão a conviver, muitas vezes no mesmo altar.

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