Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Amanda Pinheiro cobra políticas públicas que cheguem ao interior do Amazonas

Advogada diz que combate à violência contra a mulher ainda é concentrado em Manaus e não alcança quem vive nas regiões mais vulneráveis do estado.

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(Foto: Divulgação/Instituto As Manas)

Manaus (AM) – A advogada criminalista Amanda Pinheiro, fundadora e presidente do Instituto ‘As Manas’, fez uma cobrança direta ao poder público durante o programa AM1 Entrevista: o combate à violência contra a mulher no Amazonas ainda está concentrado em Manaus e não alcança, com efetividade, quem vive no interior do estado.

Segundo ela, o problema não é apenas criar estruturas formais, mas garantir que as políticas públicas realmente cheguem à mulher ribeirinha, à moradora de comunidades isoladas e às vítimas que vivem em municípios onde não há delegacia especializada, acolhimento emergencial ou apoio psicológico.

“A política pública precisa chegar”

Amanda foi direta ao afirmar que a eficácia da política pública depende de capilaridade.

“Essa política pública será eficaz quando ela chegar. Hoje ela não chega lá na mulher de Boca do Acre, de Pauini, de Uarini, de Barreirinha”, afirmou.

Barreirinha, segundo a entrevistada, aparece como o município mais violento contra a mulher no Amazonas. Já Tefé, também citado por Amanda, figura entre os locais com maior demanda por atendimento.

Rede existe, mas não funciona de forma integrada

A advogada também criticou a falta de articulação entre os órgãos que deveriam atuar em conjunto. Na visão dela, o Amazonas ainda opera com uma estrutura fragmentada, na qual a mulher passa por vários serviços sem que exista acompanhamento contínuo e integrado.

Ela compara esse cenário a uma “malha”, e não a uma rede: a vítima entra por uma porta, mas muitas vezes se perde no caminho, sem que haja continuidade no atendimento ou monitoramento da sua situação.

Prevenção ainda é o maior desafio

Amanda também defende que o combate à violência contra a mulher não pode se limitar à repressão ou à resposta emergencial. Para ela, o Amazonas precisa investir fortemente em educação, prevenção e mudança cultural.

“Na nossa cultura nortista, a mulher ainda é tratada como um ser inferior, de subvalor. Isso precisa ser enfrentado com informação e educação”, disse.

Ela afirma que o enfrentamento à violência passa por rodas de conversa, trabalho em escolas, universidades, comunidades e capacitação permanente da rede de atendimento.

Mais do que denunciar, é preciso garantir recomeço

Amanda também criticou a superficialidade de discursos que resumem o enfrentamento à violência contra a mulher à frase “denuncie”.

Para ela, a denúncia só faz sentido quando o Estado e a rede de proteção conseguem oferecer condições reais para que a vítima sobreviva, se reorganize financeiramente e reconstrua a própria vida.

“É muito fácil dizer para uma mulher denunciar. Difícil é responder: para onde ela vai com os filhos? Como ela vai se alimentar? Como vai recomeçar?”, questionou.

Ao final, a advogada reforçou que a rede de proteção precisa ser ampliada, interiorizada e humanizada para deixar de funcionar apenas no papel.

Assista à entrevista:

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