Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Amazonas lidera ranking de pior cobertura 4G nas rodovias federais, aponta Anatel

Somente 11% da população rural tem acesso à internet móvel; sociólogo alerta para agravamento da exclusão digital.

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(Fotos: Divulgação/DNIT & OpenStreetMap)

Manaus (AM) – O Amazonas registra a pior cobertura 4G nas rodovias federais do Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), divulgados em dezembro de 2024. O relatório aponta que apenas 4,9% das rodovias no estado contam com acesso à rede 4G.

Cinco dos sete estados da Região Norte figuram entre as piores posições do país em cobertura 4G nas rodovias federais, evidenciando um cenário crítico de conectividade na região.

Em contraste, estados como São Paulo, Distrito Federal, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná lideram o ranking com os melhores índices de cobertura 4G nas estradas federais. Confira:

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Levantamento analisado pelo Portal AM1, com base em dados da Anatel, mostra que 81,21% da população do Amazonas conta com cobertura 4G. No meio urbano, esse índice sobe para 99,70%.

No entanto, a realidade muda drasticamente nas áreas rurais, onde apenas 11,04% da população tem acesso à rede 4G, escancarando o abismo digital entre campo e cidade.

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Esse contraste revela o desafio da inclusão digital em territórios afastados dos centros urbanos, dificultando o acesso à informação e à conectividade nessas regiões.

O sociólogo e cientista político Luiz Antônio, em entrevista ao Portal AM1, alertou que a deficiência da cobertura 4G nas rodovias federais do Amazonas agrava a exclusão digital de populações vulneráveis, como comunidades ribeirinhas e indígenas.

Ele destacou que a limitação na comunicação impacta diretamente a atividade econômica local.

“Qual é o impacto direto? Primeiro, é não garantir o acesso à comunicação moderna e de qualidade, o que impede, inclusive, a realização de negócios. Você sai em viagem por uma estrada em Manaus e não consegue pagar uma refeição com cartão digital, por exemplo, usando um aplicativo ou algo semelhante. Isso faz com que, em uma próxima viagem, ao lembrar que o restaurante não aceita cartão, PIX ou qualquer outro meio digital, eu simplesmente decida não parar lá”, afirmou.

Luiz Antônio também classificou a ausência de infraestrutura digital como um fator de desigualdade social estrutural, que reforça o isolamento socioeconômico da região amazônica.

Para ilustrar, citou o caso de um amigo em Manacapuru que precisou contratar internet via Starlink para manter sua pousada funcionando. “sem comunicação, o desenvolvimento econômico local fica comprometido”, concluiu.

Segundo o sociólogo Luiz Antônio, os governos federal e estadual negligenciaram a imposição de obrigações claras às operadoras de telecomunicação durante o processo de privatização da internet.

Ele destacou que, a partir das gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, os contratos de licitação não estabeleceram responsabilidades objetivas nem metas de cobertura para as empresas. O especialista citou como exemplo o eixo Rio-São Paulo, onde a infraestrutura de 4G e 5G avançou justamente por conta dessas exigências em contratos anteriores.

“No processo de privatização da internet, enfim, o Governo não se preocupou, em especial a partir dos governos Temer e Bolsonaro, em garantir, nos contratos, que as empresas ganhadoras das licitações tivessem responsabilidades objetivas ou metas a serem alcançadas. Quando você anda no eixo Rio-São Paulo, por exemplo, toda a malha viária já coberta por internet 4G ou 5G é resultado dessas metas, dessas obrigações”, explicou o sociólogo.

O Estado, segundo ele, não pressionou as concessionárias a levarem conexão de qualidade para essas áreas. O sociólogo criticou ainda a “inação” do governo do Amazonas, que, em sua avaliação, não tem cobrado melhorias das operadoras.

“No caso da Amazônia e de algumas regiões do Brasil Central, essas metas não foram pactuadas. O Estado não exigiu das empresas vencedoras que assumissem esses compromissos. Ao mesmo tempo, o governo do Amazonas não tem tensionado, não tem cobrado que essas empresas prestem um serviço adequado. Mas não precisa ir muito longe: estamos aqui no campus Ufam, e a internet é uma miséria. Dentro da universidade, no centro de Manaus, a qualidade da conexão é muito ruim”, completou o sociólogo.

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