Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Alunos e professores da Ufam são contra o programa Future-se

Corpo docente e discente da Universidade Federal participarão do protesto nacional contra as medidas adotadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro

Depois de um período conturbado, universidades federais vivem um momento de retomada dos investimentos. (Foto: divulgação)

A tendência lançada pelos famosos que frequentam a ilha de Fernando de Noronha chegou no Ministério da Educação (MEC), como sugere o nome do novo projeto da pasta liderada pelo ministro Abraham Weintraub, o Future-se.

A novidade propõe uma aplicação de dinheiro da iniciativa privada como uma alternativa para solucionar o contingenciamento de 30% das universidades federais, anunciado em maio deste ano pelo Governo Federal. A proposta ainda não foi implementada, mas será alvo de protesto nacional na próxima terça-feira, 13.

No Amazonas, estudantes e professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) já sinalizaram que vão aderir ao protesto do dia 13 de agosto.

O percurso também já está traçado, terá início, às 15h, na Praça da Saudade, situada na rua Simão Bolívar, no Centro, e vai finalizar na Praça do Congresso, na avenida Ramos Ferreira, também no Centro de Manaus.

Privatize-se

“É a entrega descarada da universidade pública ao setor privado”, critica o estudante do curso de ciências naturais da Ufam, Kennedy Costa, ao falar do Future-se. E essa interpretação vai ao encontro da opinião do diretor da Faculdade de Informação e Comunicação da Ufam (FIC), professor-doutor Allan Rodrigues. “O projeto traz indicativos de que o Governo Federal pretende investir menos no ensino público superior e está incentivando que as universidades busquem no setor privado a compensação dessa ausência dos recursos públicos”, pondera.

Rodrigues ressalta, ainda, que há universidades federais que vão fechar as portas agora no segundo semestre. Isso porque com o bloqueio dos 30% não será possível arcar com despesas essenciais como o pagamento da conta de água ou da energia elétrica.

Segundo informação da assessoria, esse não será o caso da Ufam, que dará prosseguimento ao segundo semestre sem sofrer os impactos do bloqueio nem quanto aos gastos básicos e nem no pagamento das bolsas das pequisas científicas.

Pesquisa

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), endossa a proposta do MEC porque ele não tem interesse no avanço do país, avalia Kennedy Costa. “Ele desrespeita inclusive o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) quando corta bolsas e faz chacota da principal organização de pesquisa que é Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), ao dizer que a fundação mente quanto aos dados sobre a política de drogas”, justifica o estudante.

Entre as sociedades organizadas que apoiam a causa estão a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Estadual dos Estudantes (UEE), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato dos Trabalhadores do Estado do Amazonas (SINTEAM).