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Orlando Cidade queria interferir em fiscalização ambiental, diz MPF

Leonardo Galiano, que chefia a Operação Arquimedes, esclareceu os motivos pelos quais o ex-deputado estadual Orlando Cidade aparece nas investigações

Leonardo Galiano. (Foto: Carlos Bolívar)

Em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (10), o procurador da República, Leonardo Galiano, que chefia a Operação Arquimedes, esclareceu os motivos pelos quais o ex-deputado estadual Orlando Cidade aparece nas investigações e foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência, na manhã de hoje. Conforme Galiano, no transcurso das investigações, em 2018, foram detectados diálogos entre Cidade – que estava no mandato parlamentar – com servidores públicos em que tentava interferir na elaboração de relatórios de fiscalização, alvos de ação judicial.

“No monitoramento telefônico nessa investigação, foi verificado diálogos entre servidores públicos, como engenheiros florestais e madeireiros com o ex-deputado Orlando Cidade, interferindo sobre a produção de relatórios de fiscalização que seriam apresentados para a Justiça Federal em razão de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF, no qual houve deferimento de liminar embargando empreendimento do parlamentar. Por conta dessa interferência, cooptação de servidores com intuito de elaboração de documentos falsos, foi necessária a obtenção dessa investigação”, explicou o procurador da República.

Alexandre Saraiva. (Foto: Carlos Bolívar)

Nessa nova fase da Operação Arquimedes, deflagrada no início da manhã desta quarta, o grupo de trabalho planeja focar a investigação e intensificar a fiscalização nos portos do Estado, em especial no porto de Manaus.

Vigilância nos portos

Conforme o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, a proposta é intensificar a vigilância sobre eventuais práticas criminosas nos portos para coibir o uso desses aparelhos para o transporte ilegal de produtos, como a madeira, o ouro e mesmo as drogas.

“O mercado internacional da madeira vem se aquecendo ano a ano e, com o colapso da exploração no sudeste asiático há uma grande pressão sobre a madeira da região amazônica, como o Sul do Amazonas e, essa pressão vai aumentar sensivelmente nas próximas décadas. Precisamos estar preparados para que a madeira extraída de forma legal tenha espaço no mercado”, disse Saraiva.

O procurador federal Leonardo Galiano acrescentou ainda que, nessa nova etapa, a intenção é coibir o uso ilegal do transporte fluvial e da cabotagem para transporte de produtos ilícitos.

Segundo Galiano, muitas vezes o uso da cabotagem na destinação de mercadorias para outros Estados é apenas o passo inicial para realocação de produtos ilegais e, posteriormente, para exportação.

“Esse Grupo de Trabalho que está sendo instituído hoje também visa, principalmente, viabilizar um aprofundamento do mapeamento de atividades ilícitas envolvendo comércio entre dois Estados da federação para que não apenas portos privados, mas o transporte fluvial não seja utilizado para escoamento ilícito de madeira, drogas, armas”, acrescentou o procurador. O Grupo de Trabalho é composto por membros do MPF, Polícia Federal, Ibama e Receita Federal.

 

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