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Wilson Lima tenta ‘intimidar’ professores com reforço policial na ALE

A imprensa também teve que descer em via pública com tráfego intenso, por ser impedida de entrar com o veículo no local da manifestação

Sem conseguir barrar a greve dos professores na Justiça Estadual, o governador Wilson Lima (PSC) reforçou o policiamento militar durante a manifestação da categoria na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), na manhã desta terça-feira, 16, para tentar ‘intimidar’ os educadores.

Mais de cinco viaturas da Polícia Militar (PM), além de batedores em motos, faziam a ‘segurança’ na Assembleia Legislativa no lado externo. Os jornalistas que chegavam para acompanhar a manifestação dos professores eram obrigados a descer na Avenida Mário Ypiranga, mesmo com o intenso tráfego de veículos.

Os professores lotaram a galeria da Assembleia Legislativa. (Márcio Gleyson)

 

O policiamento impedia que qualquer carro adentrasse a Assembleia Legislativa. Os policiais informavam que não tinha espaço para fazer manobras, por isso, os veículos tinham que deixar os passageiros no meio da rua e seguir para outro lugar. Mas, não era bem essa a realidade. Veja nas fotos:

Usar a pressão policial não foi à única medida adotada pelo Governo para intimidar a categoria de professores. De acordo com o deputado de oposição Dermilson Chagas (PP), professores no Amazonas estão sofrendo assédio moral dentro das escolas.

“Até para ir ao banheiro os professores têm que comunicar. Recebemos várias denúncias de perseguição. Os professores não podem fazer conversas e tem que evitar dialogar com os deputados estaduais”, disse Dermilson Chagas.

Segundo Dermilson, a tentativa do governador Wilson Lima de impedir a greve dos professores na Justiça estadual é uma ‘covardia’ por parte do Governo do Estado. “Não é assim que conduz um processo democrático”, retrucou Chagas.

O parlamentar disse que o secretário de Educação, Luiz Castro (Rede), vem fazendo reuniões pedindo aos gerentes, diretores e coordenadores, que evitem conversas com os deputados e retiradas de documentos da secretaria para abastecer a oposição.

O coordenador financeiro do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical), Lambert Melo, disse que a atitude do governador Wilson Lima em tentar barrar as manifestações dos educadores é algo que traz certo espanto para a categoria.

“De fato, está acontecendo assédios contra os professores, mas, em todas as escolas que acontece alguma denúncia, o sindicato vai até o local, tenta conversar com os trabalhadores e a direção da escola para tentar amenizar e resolver os problemas no diálogo. Se não houver o entendimento, iremos usar o nosso setor jurídico para defender os trabalhadores da educação”, disse o sindicalista.

Trancou o portão

Lambert Melo disse que um caso bastante emblemático, aconteceu no Centro de Educação de Jovens e Adultos Jacira Caboclo, localizado na Avenida Constantino Nery, zona Central de Manaus, onde a gestora na unidade educacional trancou o portão da escola para que os professores não acompanhassem os protestos.

“Nós entramos com um processo contra essa gestora. Felizmente, a pessoa foi retirada da gestão da escola”, disse Lambert.

A reunião na Assembleia Legislativa, segundo o sindicalista, é em busca de apoio do parlamento, para que os deputados se coloquem como ‘intermediários’, para abrir a negociação com o Governo do Estado.

“Se não for apresentado uma contraproposta para a categoria, infelizmente, a greve deverá continuar”, disse o sindicalista.

Durante o debate na Assembleia, o deputado Dr. Gomes (PSDB) apresentou um documento encaminhado pelo Governo do Amazonas, que mantém a proposta de reajuste de 3,93%. Segundo o deputado, o Estado já ultrapassou o limite máximo de 40% permitido com pagamento de pessoal, chegando a um valor de 49%.

“Embora o Governo reconheça o direito dos profissionais da Educação, a proposta tem que ser de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, para que o governador não responda por improbidade administrativa”, disse o parlamentar.

O deputado Felipe Souza (Patriota) questionou a mudança de comportamento do secretário de Educação Luiz Castro. Segundo parlamentar, quando Castro estava na ALE, era contra qualquer tipo de ação que prejudicasses a categoria da educação.

“Pergunto sobre qual é a dificuldade de sentar com os professores e negociar os reajustes. Se o Governo não puder dar 15%, que chegue a um valor justo. Se saiu a data-base para um categoria (citou reajustes da PC), as demais deverão ser beneficiadas também”, disse Felipe Souza.

Críticas

O deputado de oposição Wilker Barreto (PHS), disse que Governo que tem compromisso não permite que uma secretaria como a Seduc faça mais de R$ 150 milhões em dispensa de licitação. “Governo de austeridade não permite que um contrato de transporte escolar, praticado em 2018, no valor de R$ 28 milhões, seja contratado de forma emergencial no montante de R$ 46 milhões”, criticou Barreto.

Segundo o deputado, os contratos do Governo de fornecimento de merenda para as Escolas de Tempo Integral (CETs) aumentaram em R$ 20 milhões. “O governo paga R$ 20 mil por hora de jato utilizada, que somam mais de R$ 3 milhões ao ano e não tem comprometimento em pagar o reajuste dos professores”, disse Wilker.

O deputado Serafim Correa (PSB) disse que o Governo tem que ficar abaixo do limite prudencial nos próximos dois quadrimestres. Segundo o deputado, isso só será possível se houver um aumento de arrecadação, pelo fato de o Governo não conseguir diminuir a folha de pagamento.

“Nesse impasse, eu entendo que há espaço para um diálogo. Conversar e observar a forma de conciliar. Não pode haver radicalização nem de um lado e nem de outro”, disse o deputado.

Casa do Povo

O presidente da ALE, Josué Neto (PSD), disse que a Assembleia jamais irá usar a força física para impedir a manifestação dos profissionais da educação. “Estamos abertos ao diálogo, discutindo e buscando soluções para o problema enfrentado pela categoria e pelo Estado do Amazonas”, disse Josué Neto.

Veja as fotos da manifestação dos professores na ALE 

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