Amom Mandel e Silas Câmara. (Foto-Montagem: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados-Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – A disputa interna do Republicanos por uma das oito cadeiras do Amazonas na Câmara dos Deputados coloca frente a frente dois políticos com trajetórias bastante diferentes, mas que chegam às Eleições 2026 carregando fatores capazes de influenciar o ambiente eleitoral: Amom Mandel, que tenta reconstruir o capital político obtido em 2022, e Silas Câmara, que busca manter uma base construída ao longo de décadas, enquanto enfrenta sucessivas controvérsias de natureza familiar e política.
Segundo a análise do cientista político Durango Duarte, os dois protagonizam uma disputa direta pela vaga titular do Republicanos. A projeção aponta para a eleição de apenas um nome da legenda, deixando o segundo colocado na suplência. Há, contudo, uma possibilidade de o partido conquistar uma segunda cadeira pelas sobras, dependendo da votação total da legenda.
Amom: da votação histórica à derrota pela Prefeitura
A principal questão envolvendo Amom Mandel é a distância entre o desempenho extraordinário de 2022 e o resultado obtido dois anos depois.
Na eleição para deputado federal em 2022, Amom recebeu 288.555 votos, equivalentes a 14,49% dos votos válidos do Amazonas. Foi o candidato mais votado do Estado e, proporcionalmente, um dos deputados federais mais votados do país.
O resultado criou uma expectativa de consolidação de Amom como uma das principais forças eleitorais do Amazonas. A aposta seguinte foi a Prefeitura de Manaus.
Em 2024, porém, o desempenho foi diferente. Amom recebeu 210.643 votos, 19,10% dos votos válidos, terminou em terceiro lugar e não avançou ao segundo turno. David Almeida e Capitão Alberto Neto foram os dois candidatos que seguiram na disputa.
A diferença é significativa: Amom perdeu 77.912 votos em relação à votação de 2022.A queda, entretanto, precisa ser contextualizada. Foram disputas diferentes, com cargos, adversários, estratégias e eleitorados distintos. Portanto, o resultado de 2024, isoladamente, não permite afirmar que houve uma perda permanente de sua força eleitoral. É justamente essa recuperação que passa a ser colocada à prova em 2026.
A projeção de Durango coloca Amom diante de uma nova realidade
De acordo com a análise apresentada por Durango Duarte, Amom não aparece mais com a mesma margem que construiu em 2022. A projeção citada no cenário do Republicanos trabalha com uma possível redução expressiva da votação do ex-vereador, enquanto Silas Câmara partiria de uma base eleitoral mais previsível.
Se a estimativa se confirmar, Amom terá de transformar novamente a votação individual em uma eleição para deputado federal — cargo no qual já alcançou uma votação excepcional — depois de ter fracassado na tentativa de chegar ao comando da Prefeitura de Manaus.
A questão, portanto, não é apenas quantos votos Amom perdeu desde 2022, mas quanto daquela votação extraordinária continua convertida em capital eleitoral dois anos depois de uma derrota majoritária.
Silas chega com uma estrutura eleitoral consolidada
Do outro lado está Silas Câmara. O deputado tem uma trajetória muito mais longa no Congresso. Segundo a Câmara dos Deputados, ele exerce mandatos federais desde 1999, com sucessivas reeleições. Em 2022, Silas recebeu 125.068 votos e foi eleito para mais um mandato, terminando como o quarto deputado federal mais votado do Amazonas.
A votação está muito abaixo do resultado obtido por Amom naquele ano, mas representa uma base eleitoral consolidada. É justamente essa diferença que aparece na projeção de 2026: enquanto Amom precisa demonstrar quanto da força de 2022 permanece, Silas aposta em uma estrutura construída ao longo de vários mandatos e na sua presença no segmento evangélico.
O fator familiar entrou no cálculo político
Silas, porém, chega à nova disputa depois de uma sequência de episódios envolvendo sua família que ganharam repercussão pública.
Em dezembro de 2025, a Justiça de Manaus decretou, em caráter liminar, o divórcio entre Silas Câmara e a deputada federal Antônia Lúcia. O caso veio depois de uma série de conflitos familiares e exposições públicas envolvendo o casal.
A crise extrapolou o ambiente privado e passou a ocupar espaço no debate político e religioso em torno do grupo familiar. Esse tipo de episódio, por si só, não permite medir impacto eleitoral. Não há, nos dados apresentados na projeção, uma pesquisa que quantifique quanto a crise familiar teria afetado a intenção de voto de Silas. Mas o desgaste público é um elemento que passa a compor o ambiente em que o deputado busca a reeleição.
Empresas da família também entraram no radar
Além da crise conjugal, Silas enfrenta questionamentos relacionados a empresas ligadas a familiares. Em junho de 2026, reportagem do Metrópoles revelou que uma empresa da filha do deputado firmou contratos com três prefeituras do Amazonas para locação de salas utilizadas como escritórios de representação em Manaus.
Segundo a reportagem, os municípios de Itamarati, Eirunepé e Fonte Boa haviam recebido emendas indicadas por Silas. Os contratos foram realizados sem licitação, segundo o veículo.
Outro episódio envolve a investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. Em fevereiro, reportagem baseada em documentos apontou que Silas teria intermediado um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade investigada por suspeitas de fraude, enquanto empresas ligadas a familiares receberam recursos. O BNC informou que empresas familiares receberam R$ 1,8 milhão no período analisado.
Esses fatos não significam, por si só, que Silas tenha cometido irregularidades. São questionamentos e fatos reportados por veículos de imprensa, que precisam ser distinguidos de eventual responsabilização judicial ou administrativa.
Duelo entre trajetórias diferentes
A disputa do Republicanos, portanto, coloca em lados opostos dois modelos políticos. Amom chega com uma marca eleitoral construída rapidamente. Em 2022, foi o fenômeno das urnas no Amazonas, com 288,5 mil votos. Dois anos depois, tentou a Prefeitura de Manaus e terminou fora do segundo turno.
Silas representa uma estrutura política de longo prazo. Está no Congresso desde 1999, possui uma base eleitoral consolidada e foi novamente eleito em 2022 com 125 mil votos.
O problema de Amom é saber quanto da votação extraordinária de 2022 continua de pé. O problema de Silas é saber se sua estrutura tradicional será suficiente para neutralizar os desgastes acumulados nos últimos anos.
Uma vaga, dois nomes
Na projeção apresentada por Durango Duarte, o Republicanos parte para 2026 com uma vaga titular praticamente em disputa direta entre Amom e Silas. A possibilidade de os dois serem eleitos existe, mas depende de o partido alcançar votação suficiente para conquistar uma segunda cadeira pelo cálculo das sobras.
Assim, a eleição coloca uma pergunta central para o Republicanos: a força eleitoral construída rapidamente por Amom conseguirá superar uma estrutura política consolidada como a de Silas?
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