(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Amazonas e em outras regiões do país, afirmam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se comprometeu a pautar, na próxima semana, propostas sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. No entanto, a informação foi contestada por lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT). O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) negou que exista qualquer acordo entre a oposição e o presidente da Casa para avançar com os temas.
A declaração do petista ocorreu após o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciar em entrevista coletiva que houve acordo e ambas as matérias seriam colocadas em votação nos próximos dias.
“A oposição precisa justificar o recuo dentro da Câmara e tenta criar uma justificativa para sua base, porque teve que recuar aqui”, afirmou Lindbergh à imprensa, ao comentar o anúncio feito pelo líder do PL.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que a Câmara dos Deputados deve pautar, já na próxima semana, a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. Segundo ele, a definição ocorreu após reunião com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários.
Parlamentares da base governista, no entanto, negam que Hugo Motta tenha assumido esse compromisso.
Parlamentares e aliados do PL comemoraram
A suposta sinalização positiva de Hugo Motta repercutiu nas redes sociais de aliados de Bolsonaro, especialmente no Amazonas. O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) afirmou, em publicação, que houve uma vitória da oposição.
“Hugo Motta se comprometeu a pautar a Anistia do 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. A pressão deu resultado! Agora é continuar mobilizados até a aprovação”, declarou.
A deputada estadual Débora Menezes (PL), que atua na Assembleia Legislativa do Amazonas e não na Câmara Federal, também se manifestou. Em suas redes sociais, publicou: “Chora esquerda! Vitória da oposição”, comemorando o suposto compromisso de Hugo Motta.
Outros parlamentares do PL, como Raiff Matos e Coronel Rosses também repercutiram o tema por meio dos stories em suas redes sociais. Raiff Matos e Coronel Rosses atuam como vereadores em Manaus, cargo que não participa das votações na Câmara dos Deputados. Já o vereador Sargento Salazar (PL), o deputado estadual Cabo Maciel (PL) e o deputado Delegado Péricles não se manifestaram até o momento.
Obstrução e reações no plenário da Câmara
As manifestações ocorreram após a oposição iniciar, na terça-feira (5), um movimento de obstrução nos plenários da Câmara e do Senado. Os parlamentares protestam contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e exigem a votação da anistia geral aos condenados por participação na tentativa de golpe de Estado, além de pedir o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Na noite de quarta-feira (6), por volta das 22h30, Hugo Motta abriu a sessão plenária após longo período de obstrução. Durante o pronunciamento, criticou a conduta dos deputados oposicionistas.
“O que aconteceu entre o dia de ontem e hoje com a obstrução dos trabalhos não faz bem a esta Casa. A oposição tem todo o direito de se manifestar, de expressar sua vontade. Mas tudo isso tem que ser feito obedecendo o nosso regimento e a nossa Constituição. Não vamos permitir que atos como esse possam ser maiores que o Plenário e do que a vontade dessa Casa”, declarou o presidente da Câmara.
Ao chegar ao plenário, Motta enfrentou dificuldades para assumir sua cadeira na Mesa Diretora, sendo impedido por parlamentares, como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS).
LEIA MAIS:








